TRANSPORTE: Em debate, as limitações ao direito de ir e vir
Seminário discute a questão do transporte público no Brasil, que onera a população pobre e estimula o individualismo
Eduardo Sales de Lima
da Redação
O salário mínimo é de R$ 380. Uma pessoa que reside em São Paulo, por exemplo, que usa duas conduções por dia, gasta em torno de R$ 100 por mês. Mais de um quarto do salário. “Não é necessário pagar o consumo no hospital público, nem educação. A proposta que fiz no governo Erundina foi praticamente isso”, lembra o ex-secretário de transportes de São Paulo na gestão Luiza Erundina e coautor do projeto Tarifa Zero, Lúcio Gregóri.
Gregóri participou do Seminário sobre Mobilidade Urbana, em Florianópolis, entre os dias 11 e 13 de julho. O encontro denunciou o preço abusivo do transporte urbano no Brasil. A capital catarinense, em particular, possui a tarifa mais cara do Brasil, R$ 2,40. Em Belém, a passagem de ônibus custa quase a metade, R$ 1,35.
“O sistema de transporte público no Brasil é muito caro. A razão disso é que o sistema padece de uma crise crônica de financiamento”, avalia Gregóri. Ele aponta que não há outra forma de financiar o transporte que não seja aportar recursos do Estado para subsidiar o usuário desse transporte. “É uma discussão que já se arrasta há anos e foi feito muito pouca coisa”, lembra o especialista em mobilidade urbana.
Ênfase nos automóveis
A maioria das políticas de desenvolvimento e os próprios investimentos nacionais e regionais privilegiam a circulação dos automóveis particulares e veículos de carga. Dados de 2005 da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP) revelam que os gastos dos brasileiros com transporte somam cerca de R$ 90 bilhões por ano. A maioria, 70%, com o uso dos automóveis. Já o governo gasta cerca de R$ 10 bilhões por ano, sendo que 85% dessa quantia está relacionada à manutenção de vias.
“Não é difícil encontrar um condomínio na cidade de São Paulo onde o apartamento custe, por exemplo R$ 700 mil. Esse mesmo inquilino pagará, talvez, R$ 200 do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) por mês, o que é muito barato para esse conjunto da população”, diz Gregóri. Ele também considera muito baixos os impostos pagos pelas empresas levando em conta seu faturamento e conclui que o IPTU pago pelos bancos não representa praticamente nada de seus custos.















