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Quadras, estádios e piscinas privatizadas

by peruano last modified 2007-08-22 23:22

Prefeito César Maia (DEM) e ministro Orlando Silva (Esportes) querem repassar equipamentos utilizados nos Jogos Pan-Americanos para exploração empresarial

Prefeito César Maia (DEM) e ministro Orlando Silva (Esportes) querem repassar equipamentos utilizados nos Jogos Pan-Americanos para exploração empresarial


Eduardo Sales de Lima
da Redação


Maracanã reformado, Engenhão pronto, Parque Aquático Maria Lenk. A cidade do Rio de Janeiro foi palco de uma das maiores festas esportivas do Brasil, mas o tão falado “legado social” para a parte mais pobre da população carioca não foi a melhoria do atendimento hospitalar, da qualidade das escolas para jovens ou da infra-estrutura de transportes coletivos. Os equipamentos construídos, para variar, vão reproduzir a lógica da reprodução do capital.
Segundo o comitê organizador dos Jogos Pan-Americanos, entre as principais atribuições da Prefeitura, esteve a construção do Parque Aquático Maria Lenk, da Arena Multiuso, de um Velódromo e do Estádio João Havelange (o Engenhão). O Governo Federal, enda tre outras ações, financiou a construção da Vila Pan-americana e o Estado fluminense fez a reforma do Complexo Esportivo do Maracanã. No total, foram utilizados quase R$ 3,5 bilhões de recursos públicos.
O prefeito César Maia (DEM) defende, em discursos, que a infra-estrutura esportiva construída seja utilizada de forma a gerar receita para o município. Uma proposta é privatizar o Velódromo. Outra, em estudo, é transformar o Parque Aquático Maria Lenk em quadras de tênis, mais rentáveis, segundo o político.
O ministro dos Esportes, Orlando Silva Júnior, apóia a privatização dos espaços e avalia que equipamentos como o Complexo do Maracanã e a Arena Multiuso precisam ter uma gestão diferenciada. Para ele, a sustentabilidade desses equipamentos só se daria por meio de sua concessão para empresas privadas. “Duvido muito que, com a privatização, as comunidades vão utilizar os equipamentos. Duvido que a Arena Multiuso privatizada seja usada para as escolinhas de basquete, por exemplo”, rebate Bruno Lopes, coordenador do Comitê Social do PAN e economista do PACS.

Gastos sob suspeita
Enquanto representantes do poder público correm para entregar espaços de uso coletivo para a iniciativa privada, está prevista a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Pan por indícios de superfaturamento. A CPI vai investigar falhas nos prazos de entregas dos locais de competições dos Jogos Pan-Americanos e possíveis desvios de recursos públicos. Um dos projetos a serem investigados será o contrato do Estádio João Havelange, popularmente conhecido como Engenhão. No início das obras, estava previsto um gasto inicial de R$ 166 milhões. Até hoje, já consumiu cerca de R$ 400 milhões – 140% a mais.
Segundo Alex Magalhães, assessor do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), o Engenhão, que será gerido pelo Botafogo Futebol Clube em parceria com uma empresa estadunidense, foi construído ilegalmente no terreno da Companhia Fluminense de Trens Urbanos (Flumitrem), pois, tardiamente, somente no dia 2 de agosto, as obras foram liberadas pela Justiça.
Mais uma polêmica. A quadra de tênis do Clube Marapendi recebeu um investimento público de aproximadamente R$ 6 milhões. Mas é um clube privado e continuará a ser usado apenas pelos sócios.

Principais equipamentos do Pan
Infra-estrutura construída com o dinheiro público

Vila Pan-americana
Capacidade: Até 8 mil pessoas
Área do local: 420 mil m²
Complexo Cidade dos Esportes
Capacidade:- Arena Multiuso do Rio – 15 mil pessoas
Parque Aquático Maria Lenk – 5 mil pessoas

Velódromo da Barra - 1.500 pessoas
Área do local: 1 milhão de m²

Complexo Riocentro
Capacidade: 14 mil pessoas
Área do local: 571 mil m²

Centro Esportivo Miécimo de Sousa Capacidade: 3.835 (ginásio) e 1.953 (estádio) pessoas
Área do local: 64 mil m²
Estádio João Havelange – 45 mil pessoas
Área do local: 200 mil m²

Complexo do Maracanã
Capacidade: Estádio do Maracanã – 73.916 pessoas
Ginásio do Maracanãzinho – 8.257 pessoas
Parque Aquático Júlio Delamare – 2.888 pessoas
Área do local: 195.600 m²


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