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Saída passa pela redução da dependência externa

by peruano last modified 2007-08-22 23:39

Modelo de desenvolvimento dependente aplicado durante a maior parte do século 20 originou dívida de mais de R$ 1 trilhão

Modelo de desenvolvimento dependente aplicado durante a
maior parte do século 20 originou dívida de mais de R$ 1 trilhão


Pedro Carrano
de Curitiba (PR)


O economista Lafaiete dos Santos Neves, da UFPR, explica que a dívida surge do fato de o Brasil ser um país agrário-exportador. Nos anos de 1930, a tentativa de industrialização esbarrou no fato de o país exportar produtos agrícolas – como o café – para os países centrais do capitalismo e importar maquinarias, o que iniciou um deficit na balança comercial e um processo de endividamento externo. Ainda que a grande quantidade de produtos exportados, à época, desacelerasse o endividamento.
A dívida ganhou força nos anos de 1950, dentro da necessidade de expansão do capitalismo dos países centrais, que vendiam bens de consumo aos países periféricos. Essa situação se agravou durante o período militar, na década de 1970, com a criação de uma infra-estrutura no país para comportar o consumo de mercadorias exigido naquele período. Por exemplo, com a construção de estradas para comportar o consumo de carros. Dentro desse modelo dependente, recorda Neves, não houve desenvolvimento de tecnologia própria.

Neoliberalismo
A crise do valor do petróleo, nos anos de 1970, aumentou o endividamento dos países periféricos. Ainda na década de 1980, o presidente cubano, Fidel Castro, denunciava a questão: “Se antes (os países latinoamericanos) necessitavam de uma tonelada de açúcar para comprar quatro toneladas de petróleo, agora necessitam de duas toneladas e meia de açúcar para adquirir uma tonelada de petróleo”.
Na década de 1990, o excedente de capital nos mercados centrais fez com que o sistema financeiro se radicalizasse no chamado terceiro mundo. Houve uma invasão de capitais em países como o Brasil, atraídos por taxas de juros rentáveis e pela facilidade de circulação do capital. Endividado, o Estado se apropria do lucro do setor produtivo, porém, direciona essa riqueza para o pagamento dos credores da dívida, interna e externa.

Linha do tempo da dívida
1931.
Realizada auditoria da dívida externa. O período foi caracterizado pelo início da industrialização no Brasil.
1974. O valor do petróleo aumenta e ocorre um aumento da dívida externa dos países periféricos. Os países centrais, que possuíam o controle do comércio de petróleo e derivados, foram menos afetados.
1980. EUA aumenta a taxa de juros. O dólar, por ser uma moeda internacional, endividou ainda mais os países periféricos, como o Brasil.
1990. No Brasil, país onde os capitais circulam com facilidade, atraídos pelas altas taxas de juros, a dívida pública interna aumenta. Hoje, está na casa de R$ 1,2 trilhão.


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