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Vila do Pan-americano alimenta a especulação imobiliária no Rio

by peruano last modified 2007-08-22 23:38

MORADIA Infra-estrutura construída com dinheiro público é vendida pelo governo federal para a classe média

MORADIA Infra-estrutura construída
com dinheiro público é vendida pelo
governo federal para a classe média


Eduardo Sales de Lima
da Redação


O 15º JOGOS Pan-Americanos terminou, mas cerca de 16 comunidades pobres da cidade do Rio de Janeiro, próximas às construções do PAN, seguem sofrendo com remoções, como Arroio Pavuna e Canal Cortado. Mas existem outras onde a resistência é maior.
A Vila Pan-Americana hospedou os atletas durante os jogos e foi financiada com dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), destinado para projetos populares. “Foram gastos R$ 198 milhões e praticamente todos os apartamentos já foram vendidos. Apartamentos de 1 a 4 suítes em um valor que varia de R$ 120 mil a R$ 400 mil”, afirma Bruno Lopes, coordenador do Comitê Social do PAN.
As organizações sociais defendem que a infra-estrutura construída fosse utilizada para amenizar o deficit habitacional da cidade, de cerca de 294 mil moradias (número oficial de 2006). Essa foi a política implementada no PAN de Havana e nos Jogos Olímpicos de Seul (Coréia do Sul) e de Barcelona (Espanha). “Aqui, foi utilizado dinheiro público para se construir apartamento de luxo para a classe média alta”, ressalta Bruno, que também é economista do Instituto de Políticas Alternativas do Cone Sul (PACS).

Barra da Tijuca
A especulação imobiliária está explorando também o espaço aberto pelos interesses privados. A região da Vila faz parte de uma expansão da Barra da Tijuca – região nobre do Rio de Janeiro. “No dia 1º, conseguiram vender pelo menos seis ou sete casas. É o Canal do Anil, é Vila Autódromo, várias comunidades da região continuam ameaçadas. É um projeto que teve o PAN como argumento, mas o interesse é abrir o espaço para a especulação imobiliária”, explica Marcelo Braga, coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP) do Rio de Janeiro e que está acompanhando a situação na comunidade do Canal do Anil, próxima à Vila Panamericana, em Jacarepaguá.
Segundo a Prefeitura, a favela do Canal do Anil é considerada de risco por ter terreno instável, sujeito à inundações e situado numa faixa marginal de rio. É proibida a construção de moradias na área. Para o local está prevista a construção de uma Via Canal. A Associação de Moradores do Canal do Anil, porém, garante ter um laudo do Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro (Iterj) negando essa versão.Vão ser demolidas 542 moradias.
A maioria dos 1,5 mil moradores não quer deixar o Canal do Anil e conseguiu paralisar a demolição com protestos, ainda no dia 1º. Foram enviados dezenas de agentes da Guarda Municipal e Policiais Militares. No período de construção da Vila, a empresa Rio Massa Engenharia Ltda, responsável pelas obras, fez uma política de indenizações arbitrárias para retirar as famílias do Canal Cortado e do Arroio Pavuna . Dava às famílias que desabrigava cheques com valores entre R$ 3 mil e R$ 11 mil. Agora é a Prefeitura que se utiliza dessa tática. “Como sempre acontece, escolhem um outro com indenização um pouco maior para propagar a tática”, afirma Marcelo Braga
“Como não tinha mandato judicial nenhum, eles estavam se utilizando do argumento que pagam pela casa. Tinha uma casa de dois andares, o térreo foi pago, mas morava uma família em cima que não pagou”, explica o coordenador da CMP. Na Vila Autódromo, testemunhas denunciam que funcionários da prefeitura diziam que fariam cadastros para fazer saneamento básico, uma mentira para o cadastro de remoção.


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