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Telegrama de embaixador estadunidense confirma participação da CIA

by peruano last modified 2007-08-22 23:48

Documento revelado pelo cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira comprova atuação do governo dos EUA na preparação do golpe militar de 1964

Documento revelado pelo cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira comprova atuação do governo dos EUA na preparação do golpe militar de 1964


Mário Augusto Jakobskind
do Rio de Janeiro (RJ)


A Agência Central de Inteligência CIA) dos Estados Unidos apoiou e acompanhou os movimentos que levaram ao golpe militar de 1964. A informação foi revelada pela revista IstoÉ, do dia 8, com base em um telegrama descoberto pelo cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira: “um documento ‘top secret’ enviado pelo então embaixador americano no Brasil, Lincoln Gordon, à Casa Branca, ao Departamento de Estado e à CIA no dia 27 de março de 1964”.
A correspondência atesta a participação da Agência nas Marchas da Fade mília com Deus pela Liberdade, que contribuíram na criação do clima para o golpe. No telegrama, o embaixador Gordon declara que o Estados Unidos forneceram “suporte velado às passeatas pró-democracia, uma discreta palavra do governo dos EUA demonstrando preocupação com esses eventos e o encorajamento de sentimentos democráticos e anticomunistas no Congresso, nas Forças Armadas e nos grupos amigáveis de trabalhadores, estudantes, na Igreja e nos negócios”.
Gordon também escreve que o general Castello Branco, primeiro presidente da ditadura, estava preparado para agir em caso de uma “provocação institucional”. Esta poderia ser “uma greve geral comandada por um líder comunista, outra rebelião de sargentos, uma proposta de plebiscito pelo Congresso ou alguma medida governamental contra os líderes democráticos militares e civis”.
Além disso, o telegrama atesta a ajuda militar dos Estados Unidos ao golpe. Segundo Gordon, um petroleiro com combustível foi deslocado para Santos (SP) e, em seguida, outros três naviostanques seriam enviados. A correspondência também menciona a presença de um porta-aviões, quatro destróiers, dois navios-escolta e uma força-tarefa com petroleiros; e mais 110 toneladas de munição.


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