Família do ex-presidente João Goulart pede mais de R$ 3 bi em indenização
Ex-presidente teria perdido duas fazendas com milhares de cabeças de gado; porém, a maior parte dos recursos diz respeito a danos morais
Mário Augusto Jakobskind
do Rio de Janeiro (RJ)
A família Goulart está pedindo uma indenização à Justiça, no valor de R$ 3,496 bilhões, sendo a maior parte por danos morais e apenas R$ 496 milhões por danos materiais decorrentes dos prejuízos que João Goulart sofreu com a perda de duas fazendas de sua propriedade, além de milhares de cabeças de gado.
Esses valores só foram estabelecidos por exigência do juiz que cuida do caso pois a ação, como explicou João Vicente Goulart, filho do ex-presidente, tem por objetivo principal recuperar a imagem do presidente constitucional deposto, além de investigar “a imoralidade que esse indivíduo, Lincoln Gordon, reconheceu”.
No caso da moção aprovada no Conselho da ABI, quando a diretoria levar adiante a decisão, como a Justiça pedirá também que seja informado o valor dos prejuízos acarretados com o golpe de Estado ao povo brasileiro, o cálculo a ser estabelecido, em princípio, pode se basear nos gastos que o Tesouro brasileiro está tendo com o pagamento de indenizações às vítimas da ditadura de 1964, estipuladas, seja pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça ou pela coda missão que decidiu ressarcir familiares de desaparecidos políticos no período de vigência da ditadura no Brasil.
Tribunal internacional
Se a Justiça brasileira não decidir levar adiante a ação contra o governo dos Estados Unidos, a moção aprovada pelo Conselho da ABI recomenda que a diretoria da entidade, da mesma forma que a família de João Goulart, leve a ação para decisão de organismos internacionais, como o Tribunal de Haia.
O caso deveria merecer a máxima atenção dos veículos de comunicação pois tendo desfecho favorável, da Justiça brasileira ou mesmo do Tribunal de Haia, a ação abrirá um precedente também para outras famílias de presidentes ou entidades representativas de povos que foram vítimas de golpes que contaram com o apoio dos Estados Unidos, como atos de gestão. Sukharno, na Indonésia, Salvador Allende, no Chile, Jacob Arbens, na Guatemala, e Isabel Perón, na Argentina, são alguns dos golpes que, como o do Brasil em 1964, tiveram o apoio estadunidense, segundo revelam os documentos de arquivos de organismos dos Estado Unidos tornados públicos 30 anos depois de os fatos ocorrerem. /div>















