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A elite sai às ruas contra Lula

by peruano last modified 2007-08-24 00:12

CONSERVADORES Marcha em São Paulo com representantes da extrema-direita pede impeachment do presidente

CONSERVADORES Marcha em São Paulo com representantes da extrema-direita pede impeachment do presidente


Tatiana Merlino
da Redação


VESTIDA DE camiseta preta justa, calça jeans da marca Diesel, mochila da marca italiana Fendi*, a estudante de Economia Adriana Cury era uma das manifestantes da passeata contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrida no dia 4, em São Paulo. Acompanhada dos pais e de quatro amigas, a jovem de 22 anos carregava um cartaz que dizia: “Fora PT mais Lula. Impeachment já!”. Para a jovem, “se fizeram passeata para tirar o Collor, vamos fazer o mesmo para tirar o Lula”.
Adriana acredita que o governo do petista é o mais corrupto que já houve na história do país. “Esse é o governo do mensalão e de programas que dão dinheiro para quem não quer trabalhar”, afirmou a jovem, referindo-se ao Bolsa Família. De acordo com a estudante, o país precisa de um governante que tenha “estudos, e não um homem que não sabe nem falar direito”. Para ela, moradora do bairro dos Jardins – um dos metros quadrados mais valiosos de São Paulo –, os únicos que ainda apóiam o presidente são os “ignorantes, coitados, como a minha empregada, que acredita nele”. O novo presidente do país, na opinião da estudante, deveria ser o atual governador de Minas Gerais, Aécio Neves, do PSDB.

Elite
O protesto, que reuniu cerca de duas mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar, foi organizado por uma comunidade do site de relacionamento Orkut (com quase 200 mil membros) que tem como nome oficial “Fora Lula! O Brasil Acordou!”. O grupo que convocou as passeatas em todo o país afirma não ter vinculação partidária e defende que, entre seus objetivos, está dar “um basta à corrupção ao desgoverno, à falta de segurança, ao caos aéreo”.
Os manifestantes, em grande parte vestidos de preto, usando nariz de palhaço e alguns com o rosto pintado de verdeda acidenamarelo, saíram da esquina da Avenida Paulista com a Rua Pamplona, em São Paulo, e seguiram até a Assembléia Legislativa, em frente ao Parque do Ibirapuera. Antes do início da caminhada, cantaram o Hino Nacional e o Hino da Independência. Carregavam cartazes com os dizeres “Somos a elite decente”, “Impeachment já”, “Queremos nosso Brasil de volta”, “Relaxa e vaza”, “Escute o povo, estamos te vaiando”, “vaia de novo, com a força do povo”.

Extrema direita
Entre os participantes, estavam representantes de extrema direita como os defensores da redução da maioridade penal e do movimento Endireita Brasil, que, de acordo com texto de seu site pretende “tornar-se referência no cenário político como um núcleo coerente de pensamento e de irretocável postura moral e ética e que defende a consolidação de uma nova direita no Brasil”.
Entoando o coro de “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão”, o advogado Gustavo Machado disse que foi à manifestação para protestar contra a “quadrilha do PT”. “Não dá para vivermos com essa corrupção. Queremos o impeachment do Lula já”, afirmou. “É caos aéreo, relaxa e goza. O povo não aguenta mais”, disse o advogado, que foi ao ato junto com a mulher e com a mãe, que faz parte da Liga das Senhoras Católicas.

Em todo o país
Os protestos também ocorreram em outras capitais, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Belém e Natal, reunindo, somados, cerca de mil pessoas. Em Brasília, o protesto reuniu cerca de 80 participantes, de acordo com a PM. Parte dos manifestantes caminharam para o Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente. O início do protesto aconteceu no Aeroporto de Brasília, onde os manifestantes homenagearam as vítimas do acidente com o Airbus da TAM e circularam com cartazes criticando o presidente: “Lula, não são só as elites que te vaiam. É o Brasil. Fora Lula”.
No Rio, aproximadamente 100 pessoas vestidas de preto e carregando cartazes contra o governo participaram de uma caminhada na Praia de Copacabana, como parte do movimento intitulado “O Dia da Grande Vaia Nacional”. O movimento declara-se apartidário e também foi divulgado pela internet, mas a maioria dos participantes fazia parte de grupos da juventude do PSDB e do Democratas. Em Belo Horizonte, o ato reuniu cerca de 200 pessoas, segundo cálculo da Polícia Militar, que protestaram contra o governo federal com apitos, vaias, faixas e palavras de ordem.

Participação tucana
Em Porto Alegre, cerca de 150 pessoas participaram do chamado “Dia da Grande Vaia”. Vestidos de preto, com nariz de palhaço e aos gritos de “Abaixo a impunidade” e “Exigimos respeito e dignidade”, os manifestantes reuniram-se no Aeroporto Salgado Filho. Já em Curitiba, onde 200 pessoas participaram do ato, o PT denunciou a participação de veículos oficiais da prefeitura, do PSDB, na manifestação. Em informativo distribuído aos militantes, a assessoria de comunicação do PT denunciou que “durante o ato, dois veículos kombi alugados pela Prefeitura de Curitiba permaneceram estacionados no calçadão, ao lado dos ‘manifestantes’. Um microônibus da prefeitura também foi fotografado a poucos metros do local”.

*Um dos modelos mais baratos de calça jeans da marca Diesel custa cerca de R$ 580. A mais cara custa R$ 2.350. Os preços das bolsas da marca Fendi custam em média R$1.500.


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