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Ganha força debate sobre agências

by peruano last modified 2007-08-24 00:25

POLÍTICA Projeto no Congresso quer regulamentar o papel desses organismos sem, no entanto, questionar a autonomia em relação ao poder político

POLÍTICA Projeto no Congresso quer regulamentar o papel
desses organismos sem, no entanto, questionar a autonomia
em relação ao poder político


Mayrá Lima
de Brasília (DF)


A CRISE do setor aéreo deu novo combustível para a discussão sobre as agências reguladoras no Congresso Nacional. O gancho para a retomada desse debate são as críticas de que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) foi incapaz de regular a atividade no país, preservando o interesse e a segurança dos usuários do sistema.
Para o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), há uma contradição em alguns dos grupos políticos que, agora, criticam a Anac, uma vez que os parlamentares ligados ao PSDB e ao DEM (ex-PFL) foram os maiores defensores da “autonomia” das agências reguladoras – como, por exemplo, da impossibilidade de o presidente da República demitir seus diretores. “O Estado deveria ter o poder de mudar diretores assim como determinar quem vai conduzir. Dessa forma, o Estado bancaria o risco. A oposição de direita quer culpar a Anac como se fosse um órgão do governo, mas a agência teoricamente é independente. Então, é melhor que seja dependente e assuma os riscos”, defende.
No entanto, esse não é o caminho dos debates na Câmara dos Deputados. Integrantes da CPI do Apagão Aéreo recuperaram a proposta relatada pelo deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), em tramitação há três anos. Segundo o relator da CPI, deputado Marco Maia (PT-RS), o tema vai entrar na pauta da Câmara neste semestre. “O presidente Arlindo Chinaglia (PTSP) já afirmou que quer tratar desse assunto e melhorar o serviço prestado pelas agências reguladoras”, disse.
O PL nº 3337/2004, que já ganhou um substitutivo, propõe uma espécie de Lei Geral das Agências Reguladoras. O seu objetivo, segundo Picciani, é aperfeiçoar o modelo regulatório que existe no Brasil desde as privatizações ocorridas no governo Fernando Henrique Cardoso. “O grande problema das agências é que cada uma tem uma lei diferente e isso causa uma confusão, uma dificuldade jurídica enorme, além da instabilidade”, explica o deputado. O projeto cria mecanismos de controle social das agências, que passariam a prestar contas à sociedade por meio de planos de metas apresentados ao Congresso Nacional, além da implantação de ouvidorias e obrigatoriedade de consultas públicas e reconhecimento do Código de Defesa do Consumidor.

Recuos, recuos
A discussão, no entanto, está longe do consenso. O projeto inicial, por exemplo, previa os chamados “contratos de gestão”. Pelo mecanismo, as agências reguladoras teriam que apresentar ao Ministério correspondente um plano de trabalho. O governo, assim, teria como controlar se as políticas públicas decididas pelo Estado seriam implementadas. Contudo, o poder político dos investidores privados e das empresas que hoje administram os serviços públicos – de energia e telefonia, por exemplo – fez com que essa ferramenta fosse descartada pelo governo.
“Isso de fato era ruim para o modelo regulatório e para a estabilidade. Então, nós resolvemos mudar para um plano de metas; um é o plano geral para quatro anos e o outro a agência definiria anualmente. O Congresso é que terá a função de controle externo. Isso servirá de base para a prestação de contas”, explica Picciani.
Outra polêmica está na possibilidade, ou não, de troca de diretores dentro da agência. Hoje, os mandatos são fixos e não coincidentes com os mandatos de Presidente da República. Além disso, a mudança só é possível se o diretor estiver sendo acusado judicialmente, ou por improbidade administrativa. Picciani defende um texto equilibrado para que a “autonomia das agências não seja ferida”.

As agências reguladoras
O que são?

Têm o papel de oferecer ao investidor privado a garantia de que os contratos firmados seriam cumpridos. Em tese, teriam a função de fiscalizar as empresas que oferecem os serviços. Juristas, ONGs de defesa do consumidor e movimentos sociais avaliam que, no entanto, as agências defendem o interesse dos grupos privados.

Quem são elas?

AGÊNCIA ÁREA ANO DE CRIAÇÃO
Anatel Telecomunicações 1997
Aneel Energia Elétrica 1997
ANP Petróleo 1998
Anvisa Controle sanitário 1999
ANS Saúde Suplementar 2000
ANA Recursos Hídricos 2000
Ancine Cinema e Audiovisual 2001
ANTT Transportes Terrestres 2002
Antaq Transportes em água 2002
Anac Aviação Civil 2006


Regulam o quê?

Elas regulam serviços públicos e atividades econômicas transferidas a grupos privados.


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