Na versão dos promotores, houve um “confronto”
A Justiça afirma não ter provas para denunciar Syngenta e Alessandro Meneghel pelo que ocorreu no dia 21 de outubro
Pedro Carrano
de Curitiba (PR)
Questionado pela reportagem se houve, no dia 21 de outubro, uma ação de milícias na direção da área de experimentos da Syngenta Seeds, onde já se encontravam os membros da Via Campesina, o promotor do Ministério Público de Cascavel (PR), Carlos Alberto Hohmann Choinski, comenta que o órgão parte do princípio de que houve um confronto entre ambas as partes, iniciado pela atitude dos sem-terra, ao ocupar a área, mesmo em meio a ameaças contra os militantes.
Na versão do MP, o tiro contra o segurança Fábio Ferreira teria sido disparado por Celso Barbosa; e o segurança Rodrigo Ambrósio teria sido o autor dos tiros contra o sem-terra Valmir Mota de Oliveira (o Keno). Por sua vez, o relatório do Comando de Operações Policiais Especiais (Cope), base para a denúncia do Ministério Público, coloca apenas as milícias armadas como autores do crime.
Execução
Já a Via Campesina afirma que o fato ocorrido na sede da Syngenta tratou-se de um ataque de milícias em busca da execução dos seus integrantes, e os tiros de armas de fogo teriam partido do lado de fora da fazenda. Pelo menos três líderes sem-terra estavam ameaçados de morte. Em nota pública, a Via Campesina repudiou as acusações contra os militantes.
Embora reconheça que exista um contrato entre a Syngenta e a NF Segurança – e fatos passados demonstrem a intimidação dos seguranças da empresa contra o acampamento sem-terra próximo à área da Syngenta –, segundo o Ministério Público, a investigação do caso não encontrou indícios de que a ordem de desocupação tenha vindo da empresa.
Choinski comenta que, no momento, uma ação cível pode recair sobre a empresa transnacional – como, por exemplo, um pedido de indenização de alguma família afetada – porém, a Syngenta Seeds não responde por acusação criminal. “O fato de a empresa ter vínculo contratual com a NF Segurança faz com que ela responda no âmbito cível, mas não no criminal”, afirma.
Explicações
Sobre o pedido de prisão preventiva de três integrantes da NF, quando 40 milicianos participaram da ação, Choinski comenta que a investigação busca os autores imediatos e os organizadores do incidente.
Coloca também que a prisão preventiva é solicitada em diferentes níveis, focando em quem teria chefiado e protagonizado o ataque, enquanto outros milicianos estariam sobre liberdade provisória. Ademais, segundo ele, a investigação do caso não encontrou todos os participantes no caso da Syngenta.
Ele comenta que a acusação que recai sobre os membros da Via Campesina vai ser a de dolo eventual, na qual, segundo o MP, “eles sabiam que estavam ameaçados de morte, e não se vai de encontro ao algoz. A defesa há que explicar a ação dos sem-terra diante dessa ameaça de morte. A acusação de dolo eventual é por terem dado motivo de confronto”, explica.















