ECONOMIA SOLIDÁRIA: No ES, feira reúne grupos de economia solidária
Fórum estuda iniciativas para divulgar o trabalho de grupos capixabas; atualmente existem cerca de 600 grupos no Estado
Luciana Silvestre
de Vitória (ES)
A 4ª Feira Estadual de Economia Solidária e Agricultura Familiar ocorreu em Vitória (ES), entre os dias 13 e 16 de dezembro. O evento, organizado pelo Fórum de Economia Popular Solidária (Feps), teve por objetivo divulgar o trabalho realizado por cerca de 120 grupos de economia solidária de todo o Estado, bem como estimular a comercialização desses tipos de produtos.
Iniciativas que trabalham com confecção de roupas, artesanato, construção civil, pesca, reciclagem, produtos orgânicos, limpeza e higiene pessoal, culinária, marcenaria e arte afrobrasileira e indígena pude- ram ser conhecidas nessa atividade. “A feira surgiu em 2004 para que os grupos de economia solidária que já existiam pudessem comercializar os seus produtos. Mas desde 2001 esses grupos já se articulavam no Fórum”, explicou Galdene Santos, da coordenação da feira.
O Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH), a Cáritas e alguns grupos de economia solidária do município de Serra foram os principais impulsionadores da criação do Fórum, que realizou atividades de formação e ajudou a organizar grupos de economia solidária no Estado.
Princípios
A economia solidária diferencia- se do modo de produção capitalista por duas questões principais: a organização coletiva do trabalho e a prática da auto-gestão. “Os grupos de economia solidária decidem tudo coletivamente, desde a produção até a comercialização dos produtos”, afirma Galdene.
Outros princípios da economia solidária são a valorização do trabalho e do ser humano, o cuidado com o meio ambiente e o consumo necessário e consciente. Por isso, os produtos encontrados na feira eram orgânicos, naturais, reciclados ou feitos de materiais reaproveitados.
Atualmente, existem cerca de 600 grupos de economia solidária no Espírito Santo. No entanto, eles encontram muitas dificuldades para se manter. “Além de o grupo ter muito trabalho para conseguir realizar todas as fases de produção e comercialização, ainda há o entrave de disputar espaço com o mercado capitalista, que é muito mais estruturado”, explica Galdene.
A fim de conseguir superar esse tipo de dificuldade, o Feps está pensando em atividades para além da feira, que ocorre apenas uma vez durante o ano. Ampliar a formação dos grupos nos princípios da economia solidária; exigir seu reconhecimento legal; estimular a finança solidária, por meio de bancos comunitários; e incentivar formas de comercialização, consumo e produção são os desafios apontados pelo Fórum Brasileiro de Economia Solidária e também pelo Feps.















