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O que querem o narco-presidente Uribe e seu patrono George W. Bush

by paula last modified 2008-03-20 16:30

O BOMBARDEIO ao acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em território equatoriano, por aviões da Força Aérea colombiana e, em seguida, a invasão daquele país por militares do Exército e da Polícia de Bogotá para seqüestrar corpos e equipamentos de suas vítimas, a soldo e mando do presidente Álvaro Uribe, foi uma operação planejada com antecedência e com alvos políticos bem claros.


A participação do governo dos EUA nesse planejamento, bem como na preparação e desencadeamento da ação, também já é um ponto pacífico: no dia 28 de fevereiro, estava na capital colombiana o senhor Joseph Nimmich, diretor da Força Tarefa Interagencial do Sul dos Estados Unidos.


Qualquer dúvida a respeito da sincronia entre Washington DC e Bogotá DC pode ser tirada com a foto que publicamos ao lado: às 16h da terça-feira, 4 de março, quatro dos tripulantes da nave Discovery estiveram na Casa de Nariño (palácio presidencial da Colômbia), em visita oficial ao presidente Álvaro Uribe. O “pretexto” do encontro foi o fato de um dos astronautas, George Zamka Pérez, ser filho de mãe colombiana. Em nome dos quatro, Zamka entregou ao presidente um certificado, expedido pela Nasa e assinado pelos sete tripulantes da Discovery, no qual consta que a bandeira da Colômbia esteve no espaço.


Ou, como perguntaria um “bichogrilo”:

‘De repente rolou o barato deles estarem visitando o cara, meu?’


Os alvos de Bogotá e Washington

A morte de Raúl Reyes, o número 2 e porta-voz das Farc, entre as quase duas dezenas de guerrilheiros assassinados durante o bombardeio, é emblemática dos objetivos da ação. Reyes era o grande interlocutor junto a governos latino-americanos, europeus e mesmo dos EUA (ler pág. 10), na busca de uma saída negociada para o impasse colombiano e para a soltura dos presos em poder da guerrilha. Colocar um ponto final nessas negociações que, não apenas projetavam positivamente as Farc e enfraqueciam o belicismo do narcopresidente colombiano,

como sobretudo colocavam no centro da cena política outras lideranças da região mais ao Norte da América do Sul, especialmente o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi o objetivo da violação da fronteira e do massacre contra as Farc.


Se toda essa política que urdiam a diplomacia das Farc e de alguns governos seria intolerável para Washington e Bogotá em qualquer outro contexto, ela se tornou particularmente perturbadora neste momento, quando o senhor Uribe tenta cavar, junto aos parlamentares do seu país, uma nova reforma da Constituição que lhe permita disputar um terceiro mandato.


Governos e forças progressistas e de esquerda condenam a violação da fronteira e o bombardeio

Quando fechávamos esta edição, ainda não havia se encerrado a reunião da OEA que discutiu a ação do governo de Bogotá contra o Equador e o massacre dos militantes das Farc. No entanto, as primeiras reações dos governos dos principais países da América Latina foram, apesar de nuances, de censura ao gesto, acompanhado da exigência de pedido de desculpas – por parte da Colômbia – ao governo de Quito, dando seqüência à política que vêm desenvolvendo no sentido de encontrar uma saída negociada para o impasse colombiano, o que isola ainda mais o governo Uribe na América do Sul.


A posição do Itamaraty, anunciada pelo ministro Celso Amorim, seguiu esse rumo que, de fato, nos parece, neste momento, o mais adequado para a questão. Mantendo a tradição da luta pela paz internacional, as forças e partidos progressistas e de esquerda manifestaram-se no mesmo rumo.


P.S.

Quem viveu, no Brasil, a noite da sexta-feira 13 de dezembro de 1968, quando foi anunciado publicamente o Ato Institucional número 5 (AI-5), que já havia sido assinado naquela tarde, sabe muito bem o quanto um final de semana é importante no sentido de surpreender o inimigo, diluir reações e consolidar de antemão uma versão oficial dos fatos.


A agressão contra o Equador aconteceu exatamente na madrugada de um sábado, 1º de março.


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