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Do narcotráfico ao comando do Estado

by peruano last modified 2008-04-03 00:03


Memélia Moreira
de Orlando (EUA)


Narcotráfico, terrorismo e corrupção. O tripé é a imagem de um homem de 56 anos que aos 50 foi eleito presidente da Colômbia, país que carrega uma das histórias mais trágicas e gloriosas da América Latina.
Nascido em Medellín, que já foi nome de cartel do narcotráfico, Álvaro Uribe Vélez é filho da alta burguesia da Antióquia, verdadeiros senhores feudais que, além de latifundiários, são também vinculados ao narcotráfico. A história foi contada no livro Os Cavaleiros da Cocaína, no qual Fábio Castillo relata a história de Alberto Uribe Serra, pai de Álvaro Uribe. Fábio, nome respeitado no cartel de Medellín, chegou a ser preso e os Estados Unidos pediram sua extradição. Mas ele foi salvo pelo secretário de Governo de Medellín, Aristizábal Guevara.
Formado em Direito e Ciências Políticas pela Universidade de Antióquia, especializou-se em Harvard, nos Estados Unidos, e Cambridge, na Inglaterra. Mas os títulos apenas lhe garantiam brilho social. Álvaro Uribe passou a frequentar o mundo político e foi nomeado diretor da Agência de Aeronáutica Civil da Colômbia, quando abriu os braços para uma longa e proveitosa amizade com o narcotráfico. Primeiro, concedendo licenças para os pilotos do narco e, depois, permitindo que pequenos aviões carregando cocaína decolassem de Medellín para os Estados Unidos.
Foi afastado do cargo, mas não ficou muito tempo longe do poder. Com apoio financeiro de Pablo Escobar, foi eleito prefeito de Medellín. Escobar passou então a se aliar a Uribe na implantação de “projetos comunitários”, entre eles, o “Medellín sem favelas” e “Medellín verde”, com o plantio de mil árvores pela cidade. De prefeito de Medellín, Uribe pulou para o palácio do governo da Antióquia e foi aí que desenvolveu sua política de apoio ao paramilitarismo.
Com recursos dos Estados Unidos, através da Universidade de Harvard, Uribe capacitou cerca de 50 mil pessoas num curso chamado “Negociação Pacífica de Conflitos”, base das chamadas “Associações Comunitárias Conviver”, cujos integrantes desfrutam de privilégios legais, tais como assassinar qualquer pessoa do povo, suspeita de atentar contra a segurança do Estado. Essas associações foram largamente utilizadas pelos latifundiários nos seus ataques a camponeses que reivindicavam reforma agrária no Estado de Antióquia.
Antes de chegar à presidência da Colômbia, Uribe foi senador, quando se destacou pela reforma do sistema de pensão e aposentadoria, permitindo que grandes grupos de especuladores tomassem conta dos Fundos de Pensão. Foi também responsável pelo projeto de lei acabando com a estabilidade funcional e o direito de greve. Para completar, seu projeto que se transformou na Lei nº 100/93 fez a reforma da seguridade social, permitindo a privatização total do sistema.
Com todo esse currículo, Álvaro Uribe se apresentou para as eleições presidenciais de 2002 e foi apoiado por toda a grande imprensa de seu país. Depois de eleito, criou o filhote do “Plano Colômbia”, o chamado “Plano Patriota”, transformou- se no mais leal amigo do presidente George W. Bush e foi reeleito em 2007.
Poucos dias antes de determinar a invasão do Equador para massacrar guerrilheiros das FARC, conquistou no Congresso o direito de disputar o terceiro mandato consecutivo.


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