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Um método revolucionário

by peruano last modified 2008-04-03 00:09


Igor Ojeda
de La Paz (Bolívia)


Criado pela Revolução Cubana, o método de alfabetização Yo, Sí Puedo é inovador pelo uso de equipamentos audiovisuais. Uma televisão, um vídeo cassete e 65 fitas são os instrumentos de ensino. O professor está na tela. Na sala de aula, é imprescindível a presença de um facilitador.
“Estamos certos de que esse é o método mais econômico. É flexível. O custo por alfabetizado é muito menor que em outros países. Em outros lugares, o mínimo é 55 dólares por aluno. Aqui, gastamos de 18 a 20 dólares”, explica Benito Ayma Rojas, diretor-geral do Programa Nacional de Alfabetização (PNA) da Bolívia.
Segundo ele, justamente por ser flexível, o método cubano foi “bolivianizado”. Um grupo de especialistas do país gravou as fitas, fazendo um ajuste à realidade nacional. “Agora, está representada uma mulher de pollera [saia típica das indígenas], um camponês”, conta Benito.

Cultura indígena
Outra importante adaptação foi a inclusão da alfabetização em aymara e quéchua, os dois idiomas originários mais falados no país. Para tal, professores das duas etnias gravaram as fitas do curso. Até fevereiro deste ano, 6.089 pessoas haviam sido alfabetizadas em aymara, e 8.937 em quéchua. De acordo com Benito, ainda existe o desejo de se incorporar o guarani.
Uma das grandes dificuldades do programa de alfabetização na Bolívia é chegar nas comunidades rurais mais distantes, principalmente as que não possuem energia elétrica, elemento essencial para o método audiovisual. Para resolver esse problema, milhares de painéis solares foram e estão sendo instalados nos locais, com a colaboração de Cuba e Venezuela.
Em média, leva-se de três a quatro meses para se alfabetizar uma pessoa com o método Yo, Sí Puedo, enquanto outros demoram de seis meses a um ano. O diretor- geral do PNA conta que os facilitadores não são necessariamente educadores, mas devem ser capacitados para tal. “São professores rurais, urbanos, militares, normalistas, universitários, líderes camponeses, voluntários etc.” Quem capacita os facilitadores são os assessores cubanos e venezuelanos no país, que também instruem os supervisores e organizam aspectos do programa. No total, estão na Bolívia 120 profissionais de Cuba e 18 da Venezuela.
Agora, diz Benito, o próximo passo é o programa de pós-alfabetização. “Uma equipe técnica já está trabalhando nisso. Professores especialistas em cada matéria vão gravar as fitas, e o curso vai durar de dois a três anos.”


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