Esquerda derrota Sarkozy em disputas municipais
ELEIÇÕES Principais partidos de esquerda vencem em sete das dez principais cidades e em redutos conservadores, como Estrasburgo e Toulouse
Paula Sacchetta
da Redação
Os principais partidos de esquerda da França saíram fortalecidos das eleições municipais concluídas no dia 16, com a vitória em sete das dez principais cidades. O resultado foi um revés para o presidente Nicolas Sarkozy e seu partido – o conservador UMP –, e descrito pela imprensa francesa como “onda rosa”, em referência às posições moderadas do Partido Socialista (PS). No entanto, em algumas dessas principais cidades – como Lion –, os socialistas venceram em uma aliança composta também pelo Partido Comunista Francês (PCF) e pelos ecologistas.
Os números das eleições municipais colocaram um freio às recentes vitórias dos conservadores, que, além de elegerem Sarkozy, também conseguiram maioria no Parlamento. Para Ségolène Royal, candidatada derrotada em 2007, os resultados caracterizaram um “voto de esperança”.
O presidente, no entanto, deu outra interpretação para os resultados. Sarkozy afirmou que as eleições mostraram o reconhecimento de seu talento e o de seus ministros e um “encorajamento” às políticas de seu governo. “O que está claro é que eu serei conduzido a tomar uma série de iniciativas para continuar com as mudanças necessárias ao nosso país. Não é uma questão de política, nem mesmo uma questão de direita e esquerda, é uma questão de bom senso.
Nosso país deve proceder com as reformas necessárias para reabilitar o trabalho, para melhorar as universidades e para modernizar nossa economia”, declarou. Na mesma direção, o primeiro- ministro, François Fillon, declarou que “é melhor não tirar conclusões nacionais de uma votação local”, inclusive porque foi o maior índice de abstenção das últimas décadas – de 33,5%.
Mas o fato é que os conservadores perderam em tradicionais redutos, como Estrasburgo e Toulouse, que estavam nas mãos da direita há quase 40 anos. Na capital Paris, o socialista Bertrand Delanoe conseguiu a eleição com uma cômoda vantagem em relação a seu rival, Françoise de Panafieu, do UMP.
Segundo os jornais franceses, um dos motivos da queda de popularidade de Sarkozy é a elevação do custo de vida da população. O presidente não teria cumprido uma de suas promessas de campanha, a de aumentar o poder aquisitivo dos franceses. Se é verdade que o desemprego recuou para o seu nível mais baixo no mandato de Sarkozy, as taxas seguem elevadas para os padrões franceses, em 7,5%. Publicamente, o presidente não reconhece o golpe das eleições municipais, mas a expectativa é que anuncie ajustes em seu ministério por conta dessa derrota.
Fatura
As eleições municipais marcaram, também, mais unidade no discurso dos partidos de esquerda, que cobraram mudanças na política de Sarkozy. Após as eleições, o primeiro- secretário do PS, François Hollande, reivindicou uma revalorização imediata das aposentadorias e solicitou ao Parlamento um debate sobre as questões econômicas, financeiras e tributárias.
Os socialistas, como Arnaud Montebourg, deputado e porta- voz da candidata derrotada Ségolène Royal, temem que Sarkozy tome medidas similares a do pacote fiscal do início de seu mandato, quando reduziu os impostos. “O presidente vai enviar a fatura às classes populares depois de dizer que o Estado está falido”, prevê o deputado. /div>















