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O Brasil que serve aos ricos

by peruano last modified 2008-08-20 23:42


Eduardo Sales de Lima
da Redação


A Organização Mundial do Comércio (OMC) foi criada em 1995. Desde então funciona como o foro dos interesses dos países ricos ávidos pela introdução dos acordos de livre comércio no mundo. O órgão decisório mais importante na OMC é a Conferência Ministerial, que se realiza, geralmente, uma vez a cada dois anos.
Em 2005, na 6ª Reunião Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Hong Kong, houve concessões substanciais dos países subdesenvolvidos nas negociações. Tanto no que diz respeito aos serviços quanto ao Acesso aos Mercados para os Produtos Não-Agrícolas (da sigla em inglês NAMA) e à agricultura. Na época, em entrevista ao Brasil de Fato, o sociólogo filipino Walden Bello ressaltou que os países desenvolvidos saíram beneficiados das negociações. E o Brasil teve importante responsabilidade nisso.
As duas principais lideranças do G-20, Brasil e Índia, pressionaram os países subdesenvolvidos para aceitar os termos das negociações. De acordo com Bello, o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) operacionalizou, juntamente com o ministro do Comércio e da Indústria da Índia, Kamal Nath, a sobrevida da OMC.
Brasil e Índia neutralizaram grupos de insatisfeitos com os rumos das negociações, como o chamado Nama 11 (que, além dos dois países, contava com Filipinas, Indonésia e Argentina, entre outros) que exigia, em contrapartida de uma expansão da liberalização da indústria e da pesca, concessões em agricultura por parte dos países desenvolvidos.
Segundo Bello, a partir desse encontro, começava a ganhar força o “Novo Quadrado”, formado por Estados Unidos, União Européia, Brasil e Índia. Foi em Hong Kong que, para Bello, ambos os países se tornaram decisivos dentro da OMC.


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