Polêmica reabre fissura política
da Redação
Sete décadas após o então presidente Lázaro Cárdenas nacionalizar a indústria petroleira, a paraestatal Petróleos Mexicanos (Pemex) está submergida em uma forte crise financeira, após sucessivas gestões de governos identificados com políticas neoliberais.
A tentativa de alterar a legislação do setor de petróleo, favorecendo as empresas privadas, reabriu uma fissura na sociedade mexicana. Calderón chegou ao poder no pleito de 2006, em meio a fortes denúncias de fraudes eleitorais. O resultado final foi submetido a dois meses de análises pelos magistrados eleitorais, que o nomearam presidente por uma estreita margem de vantagem sobre seu opositor, Andrés Manuel López Obrador. A esquerda institucional mexicana – capitaneada pelo PRD – lançou então uma campanha declarando o governo de Calderón ilegítimo e instituindo um governo paralelo e popular. Uma mobilização chegou a reunir um milhão de pessoas na praça do Zócalo, em frente à sede do governo mexicano, em protesto contra o resultado declarado pelas autoridades eleitorais.
Mesmo em um cenário de divisão no país, Calderón lançou em março sua polêmica proposta de reforma petroleira ao Congresso. Com isso, abre uma nova disputa entre os partidos políticos que rechaçam a participação privada na Pemex. Mexe também com o imaginário do povo mexicano, já que a estatização do petróleo ocorreu, em 1938, em meio a um processo popular liderado por Cárdenas. Para muitos, abrir esse setor significa “entregar o país” ao capital estrangeiro (com La Jornada).















