Honduras vai se incorporar à Alba
INTEGRAÇÃO Para o presidente Manuel Zelaya, planos de integração promovidos pela Venezuela são uma nova resposta a velhos problemas da América Latina
da Redação
O PRESIDENTE de Honduras, Manuel Zelaya, assegurou que seu país se transformará em um membro pleno da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba). “Com a Alba se abrem novas oportunidades para o país, para os pobres da região”, expressou na Primeira Cúpula de Ministros de Agricultura do mecanismo integrador Petrocaribe. O encontro foi realizado na quartafeira (30), em Tegucigalpa, capital hondurenha.
Zelaya recordou que seu país faz parte do acordo petroleiro e esteve como observador da iniciativa impulsionada pelo governo do presidente Hugo Chávez, surgida em resposta à proposta estadunidense de criar sob sua hegemonia a Área de Livre Comércio para as Américas (Alca), informou hoje o jornal El Heraldo. Os Estados Unidos também mantêm um Tratado de Livre Comércio (TLC) com países da América Central –acordo conhecido como Cafta, por sua sigla em inglês.
“Mantendo os esquemas tradicionais, não iremos adiante. Essa é uma boa opção, estes são os projetos. É o futuro da América Central e do Caribe”, assinalou o governante a respeito dos benefícios do programa Petroalimentos. De acordo com Zelaya, os planos de integração promovidos pela Venezuela são uma nova resposta a velhos problemas em quase todos os países da América Latina e, especialmente, da África que não foram solucionados com as estruturas atuais.
Integração solidária
Hoje, a Alba reúne quatro nações – Venezuela, Cuba, Bolívia e Nicarágua. Seu princípio é de uma proposta de integração para o continente sedimentada na complementariedade das nações. Idealizada como um contraponto aos Tratados de Livre Comércio (como a Alca), a Alba prioriza acordos nas áreas sociais, como em educação e saúde.
Um dos principais acordos entre os países da Alba é a Operação Milagre, que leva assistência oftalmológica às populações sem acesso ao serviço de saúde pública. Estima- se que cerca de 1,2 milhão de latino-americanos e caribenhos já recuperaram a visão por conta da iniciativa. Venezuela, Nicarágua e Bolívia também recebem apoio de Cuba no combate ao analfabetismo. O método cubano Yo, si puedo já foi utilizado por Hugo Chávez. A Venezuela, em 1995, foi declarada país livre do analfabetismo pela Unesco. Agora a Bolívia também persegue esse mesmo objetivo e, em dois anos, o governo Evo Morales reduziu pela metade o número de analfabetos no país.
A solidariedade entre esses países também é um diferencial na proposta de integração. A Venezuela, que detém a quarta maior reserva mundial de petróleo, vende barris às nações que integram a Alba em condições mais favoráveis: prazo de 90 dias para o pagamento de 50%. Dos 50% restantes, 25% teriam um prazo de 25 anos para pagar (com dois anos de carência, a uma taxa de 2%) e 25% seriam colocados num fundo da Alba para créditos a pequenos projetos.
Venezuela, Cuba, Nicarágua e Bolívia negociam, agora, a constituição do Banco da Alba, uma instituição financeira supranacional que terá o objetivo de financiar projetos de desenvolvimento para os integrantes do bloco.
A Primeira Cúpula de Ministros de Agricultura da Petrocaribe definiu, por sua vez, a criação de um conselho encarregado de definir a distribuição de 460 milhões de dólares contribuídos pela Venezuela para reativar os setores agrícolas dos países-membros do fórum. (Prensa Latina)















