Um homem da ditadura e do neoliberalismo
Entre fevereiro e abril de 1976, governador de Cochabamba teria freqüentado a Escola das Américas
Igor Ojeda
de Cochabamba (Bolívia)
As organizações sociais que fazem campanha para a revogação do mandato do governador Manfred Reyes Villa fazem questão de frisar que ele não representa apenas uma simples oposição às medidas do governo do presidente Evo Morales.
Um dos principais nomes da direita boliviana, Manfred é associado fortemente aos regimes militares pelos quais passou o país e ao neoliberalismo implantado radicalmente a partir da década de 1980.
“Ele é um militar aposentado muito ligado à ditadura de Luis García Mesa [1980-1981, considerada uma das mais sangrentas da história da Bolívia]. E foi parte de todo esse processo de privatização. Seu empenho sempre foi cuidar da segurança jurídica das transnacionais, das petroleiras... apoiava de uma forma muito firme o modelo neoliberal”, resume Carmen Peredo, assessora da Federação Departamental Cochabambina de Irrigadores (Fedecor, na sigla em espanhol).
Escola das Américas
O atual governador cochabambino esteve ligado, ainda, aos governos constitucionais do ex-ditador Hugo Bánzer (1997-2001) e de Gonzalo Sánchez de Lozada (2002- 2003), que se destacou pela dura repressão (mais de 60 mortos) aos defensores da nacionalização do gás, em outubro de 2003.
Além disso, os movimentos populares de Cochabamba denunciam que, entre fevereiro e abril de 1976, Manfred freqüentou a Escola das Américas (hoje, denominada WHINSEC), centro militar estadunidense famoso por formar repressores para as ditaduras latino-americanas. “Isso nos dá uma clara idéia de que esse senhor está contra a população”, alerta o desempregado Juan Torrico.
O ativista e advogado Edilberto Vargas, assessor jurídico da direção departamental do MAS, chama a atenção, também, para a vinculação de Manfred com os EUA. “Os grandes projetos que a USAID [agência estadunidense de apoio ao desenvolvimento] realizava na região foram absorvidos pelo governo departamental de Cochabamba.
De acordo com serviços de inteligência, ele sempre viaja às custas da Embaixada dos EUA. Isso nos faz ver que o governador está manejando interesses obscuros daquele país na Bolívia”, observa.















