Riscos à biodiversidade
Jonathan Constantino
de São Paulo (SP)
De acordo com o professor e pesquisador Douglas Mascara, biólogo especialista em genética de populações da Universidade de Mogi das Cruzes, as ameaças à biodiversidade devido ao desmatamento podem ser analisadas por inúmeros enfoques.
Do ponto de vista genético, a grande ameaça é a perda de variabilidade, ou seja, os indivíduos passam a ser muito semelhantes geneticamente. Isso porque mesmo espécies bastante espalhadas por diversas regiões podem apresentar padrões de variação genética que constroem populações endêmicas (só existem naquele local).
Mascara acrescenta que “o desmatamento em geral resulta na fragmentação de habitats e é possível verificar se houve isolamento de subpopulações”. Tais subpopulações são prejudiciais à sobrevivência dos indivíduos e, das ameaças relacionadas a isto, “para dizer o mínimo, resulta a redução do potencial adaptativo da população ou espécie frente ao potencial seletivo do ambiente”.
O professor diz que, para a criação de uma área de conservação, deve-se pensar na “preservação da variabilidade genética, monitorando-se essa diversidade e propondo ajustes quando o nível, a distribuição e o equilíbrio das freqüências gênicas apresentar sinais claros de diminuição, fragmentação e desequilíbrio, respectivamente”. Assim, as áreas devem ser contíguas, pois as fragmentadas favorecem o enfraquecimento genético das populações.
Ele defende a necessidade de profissionais especializados e trabalhos sérios para criação e efetivação das áreas de conservação, pois há detalhes a serem observados e acompanhados. “Algumas áreas de conservação de pássaros não se prestam à conservação de mamíferos”, diz, referindo-se às inúmeras diferenças que essas espécies possuem quanto à territorialidade, distribuição e deslocamentos.
Assim, o melhor é rever os parâmetros de constituição da área de conservação, caso contrário se terá que “assumir que a área de conservação é específica para pássaros e não para mamíferos, o que seria muito esquisito”. Diz que há estudos propondo a utilização de espécies marcadoras ou referenciais, sendo que cada uma delas deve ser representativa de diferentes padrões de biologia adaptativa, para verificar se a área de conservação está atingindo os seus objetivos preservacionistas.
Por fi m, Mascara ressalta que muitas áreas de conservação são ameaçadas pelo desmatamento, queimadas, entre outras ações, devido à fiscalização ser deficiente ou por possuírem um acervo de fauna e flora que se deseja explorar, denunciando que, em alguns casos, a destruição da vegetação ocorre porque isso dificulta justificar determinada área como de conservação.















