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Ameaças às terras indígenas

by peruano last modified 2008-08-21 00:16

Lentidão da Funai permite ação de invasores em áreas destinadas aos índios

Lentidão da Funai permite ação de invasores em áreas destinadas aos índios


Jonathan Constantino
de São Paulo (SP)


Em Rondônia, a população indígena soma 11 mil indivíduos, de 29 etnias, e conta com 23 terras indígenas (TIs) demarcadas e homologadas, além de uma em processo de regularização.
Tais TIs deveriam garantir o reconhecimento da organização social, costumes, língua, crenças, bem como os seus direitos humanos, como determinam os artigos 231 e 232 da Constituição Federal de 1988. No entanto, a realidade é outra.
Exemplo disso é o caso de dois dos oito grupos isolados existentes no Estado. Ambos estão sob ameaça devido ao projeto de construção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau no rio Madeira.
Além dessas, de acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai), foram localizadas comunidades indígenas isoladas na região do Parque Estadual Corumbiara. Tais povos podem ser prejudicados por invasores devido a suas práticas predatórias de exploração dos recursos naturais.
A terra indígena Uru-eu-wauwau tem sofrido com a depredação da floresta, queimadas e venda de madeira. A área é conflituosa há anos, pois houve retardo no processo de demarcação e erros cometidos pelo Poder Público. O Incra, em 1974, loteou e titulou parte do território para cerca de 140 famílias.
Apesar dos conflitos que surgiram, apenas em 1994 a Funai reivindicou a posse da área na Justiça Federal, que ficou sob litígio. Enquanto isso, a depredação, a venda de madeira e a transformação de floresta em pastagens e plantações continuam nesse local.
Mesmo com a Justiça Federal tendo concedido liminar de reintegração de posse aos indígenas, em agosto de 2005, a Funai ainda não fez a determinação ser cumprida.
Devido a essa lentidão, 854 hectares foram desmatados pelo grupo proprietário das Lojas Coimbra, o qual adquiriu 1.251 ha na área de litígio. O grupo tem vendido ilegalmente a madeira retirada desta e colocou um rebanho de cerca de 1.500 cabeças de gado no local.

Saúde das comunidades
Outro fato alarmante está relacionado à comunidade indígena da TI Sete de Setembro. Segundo pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz - RJ), o mero contato de madeireiros e grileiros com as comunidades é prejudicial, tendo efeito nocivo sobre elas. Atualmente, ela apresenta uma das mais altas taxas de tuberculose, ficando atrás apenas da população carcerária.
Tais conseqüências à saúde da população indígena estão relacionadas às mudanças de hábito alimentar desencadeadas pela escassez da pesca e da caça ocasionada pela ação dos invasores, pelo consumo de alimentos industrializados e pelo contato com microoganismos aos quais as populações indígenas não possuem imunidade.


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