Manipulação nas escolas
Dafne Melo
da Redação
Em 2005, a Monsanto, em parceria com secretarias de educação de diversos Estados brasileiros e com a revista Horizonte Geográfico, elaborou cinco revistas sobre meio ambiente, agricultura e transgenia, que tinham como alvo estudantes da rede estadual, os quais usariam os materiais em sala de aula. O Brasil de Fato pautou em duas edições (113 e 119) esse assunto, mostrando diversas irregularidades. Todos os especialistas então consultados apontaram para a parcialidade das informações, no sentido de construir uma imagem positiva do agronegócio e do uso de transgênicos, mostrando, ao mesmo tempo, a agricultura familiar como algo arcaico.
Por meio de um infográfico, exemplificava a modificação genética de uma soja enriquecida com Ômega 3, benéfica à saúde. À época, o agrônomo do Greenpeace, Ventura Barbeiro, apontou que essa soja simplesmente não existia no mercado, tampouco tinha conhecimento de que existia em laboratório. O projeto teve apoio do Ministério da Cultura (MinC), via Lei Rouanet, que o financiou em 30%.
Posteriormente, o MinC detectou que no material final haviam matérias que foram incluídas indevidamente e pediu o recolhimento de uma edição e a devolução de parte da verba. Entretanto, a revista “proibida” já havia sido entregue em algumas escolas, ou seja, o estrago já estava feito. Todos os outros números foram entregues nas escolas.















