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Prioridade é a medicina primária

by peruano last modified 2009-11-18 08:16

Segundo coordenador de uma das brigadas cubanas na Bolívia, índice de mortalidade infantil em áreas de cooperação caiu de 60 para 34 mortes para cada mil nascimentos

Vinicius Mansur
de El Alto e La Paz (Bolívia)


A atuação dos médicos cubanos em território boliviano é regida de acordo com as prioridades eleitas pelo governo do presidente Evo Morales.
Segundo o embaixador de Cuba na Bolívia, Rafael Dausá, a cooperação médica está nos locais onde o Ministério de Saúde entende como mais necessitados ou onde eles são requisitados por governos departamentais, prefeituras e organizações da sociedade civil.
O coordenador da Brigada Médica Cubana do departamento de La Paz, Eudisel Spinoza, afirma que os critérios fundamentais que norteiam os médicos cubanos são fazer chegar o atendimento ao maior número de bolivianos possível e estar em zonas onde há menos possibilidade de acesso à saúde. “Atualmente, estamos em 256 dos 327 municípios bolivianos, em 43 hospitais, cerca de 700 consultórios, atendendo a 54% da população da Bolívia”, descreve.
Segundo Spinoza, apesar de modernas instalações que permitem a realização das mais delicadas cirurgias, a prioridade está no atendimento primário de saúde e medicina geral, sobretudo, no combate à mortalidade infantil. De acordo com o coordenador, nesse quesito, a Bolívia possui um dos piores índices do continente. No ano passado, ele era de 60 crianças mortas em seu primeiro ano de vida para cada mil nascidas no mesmo período. Spinoza afirma que esse índice caiu para 34 nas áreas de atuação cubana.

Operação Milagre
Os 15 centros oftalmológicos espalhados pelos nove departamentos da Bolívia rendem destaque à Operação Milagre, que dá atenção integral à recuperação ou melhoramento da vista dos pacientes. Segundo Spinoza, dos mais de 450 mil beneficiados pela operação, cerca de 20 mil eram brasileiros, outros 20 mil, argentinos, e quase 17 mil, peruanos, o que simboliza bem a proposta da cooperação cubana.
“A Bolívia não só acolheu a Operação Milagre, como foi capaz de prestar ajuda a outros países. Enquanto governos mandam exércitos destruírem povos, Cuba, que não tem muitas sobras, divide o que tem. Nossa mensagem é que, com pouca coisa, mas unidos e organizados, se pode fazer muito pelo povo.
Isto é o que nosso comandante sempre nos ensinou e o que queremos espalhar pelo mundo. Quando sairmos daqui, não levaremos nenhum mineral, só o agradecimento e o sorriso do povo boliviano”, conclui.