POLÍTICA

Intervenção contra Venezuela faria do Brasil “bucha de canhão dos EUA”, diz Gleisi

Em vídeo publicado no YouTube, senadora criticou o que chamou de “postura submissa” do Brasil aos Estados Unidos

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
Senadora afirmou que sanções aplicadas pelos EUA contra Venezuela agravaram situação do país
Senadora afirmou que sanções aplicadas pelos EUA contra Venezuela agravaram situação do país - Foto: Wilson Pedrosa/Fotos Públicas

Em um vídeo publicado em seu canal no YouTube nesta segunda-feira (21), a senadora e presidenta do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, afirmou que, caso ocorra uma intervenção militar na Venezuela, o papel do Brasil "será o de bucha de canhão dos Estados Unidos".

Sem citar diretamente o Grupo de Lima, Gleisi criticou o endurecimento dos ataques contra o governo venezuelano. No início do mês, o bloco, do qual o Brasil faz parte, anunciou que não iria reconhecer o novo mandato do presidente Nicolás Maduro. "Gostem ou não, Maduro foi eleito com 67% dos votos do povo venezuelano", afirma no vídeo.

Segundo a senadora, "com essa postura intransigente e submissa aos EUA, Bolsonaro só tende a acelerar a crise [na Venezuela]. E uma intervenção por lá prejudicaria todos nós. Não precisa concordar com Maduro, com seu governo ou com os processos institucionais venezuelanos para entender que, no caso de uma intervenção militar na Venezuela, o papel do Brasil seria, infelizmente, o de bucha de canhão dos Estados Unidos".

Em 2017, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insinuou que estudava a possibilidade de uma intervenção militar na Venezuela. Em outubro, nas Nações Unidas, o mandatário reiterou a possibilidade quando questionado por jornalistas.

Desde antes de assumir, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, adota um tom contrário ao governo Maduro. "Desestabilizar a Venezuela é a próxima meta. Trump e Bolsonaro são aliados nessa investida. Falam até em intervenção militar".

Justificativa humanitária

A senadora também criticou a justificativa humanitária dada pelos governos regionais e pelos EUA para intervir na Venezuela, classificando o endurecimento do tom contra o governo Maduro de "ação coordenada". Os "ataques ao governo e ao povo venezuelano nada tem a ver com a defesa da democracia ou da liberdade de oposição naquele país. Não é motivada por nenhuma preocupação com o povo".

No vídeo, Gleisi ainda lembrou que não é a primeira vez que os Estados Unidos buscam interferir em outros países alegando a necessidade de defender outras populações. Para ela, "em nome de defender os direitos do povo e instalar a democracia, os EUA invadiram o Iraque. Mais de 250 mil pessoas morreram e cidades foram totalmente destruídas. O rastro que ficou foi de fome, miséria e destruição".

Sanções

Em agosto de 2017, Trump impôs uma série de sanções contra a Venezuela sob a justificativa de "restabelecer a democracia" no país sul-americano. Em dezembro de 2018, novas medidas para pressionar o governo Maduro foram anunciadas pelo mandatário norte-americano. 

Além disso, o governo da Colômbia, chefiado pelo então presidente Juan Manuel Santos, também adotou um tom agressivo contra o país vizinho, chegando a bloquear exportações de remédios e alimentos para a Venezuela.

Segundo a senadora, ações como essas foram determinantes para acentuar a situação venezuelana. “As dificuldades que passa a Venezuela só foram agravadas pelas sanções impostas pelos EUA e seus aliados. Não foi a preocupação com o sofrimento do povo que fez a Colômbia se recusar a vender remédio ao governo venezuelano, mesmo este tendo dinheiro para pagar”, frisa.

Confira o vídeo: 

Edição: Aline Scátola