Diversidade

LGBTs de Pernambuco organizadas contra o golpe

Impeachment é acompanhado por ameaças às conquistas LGBTs, avaliam movimentos

Recife

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A Plenária aconteceu no Acampamento Popular pela Democracia / Frente Brasil Popular Pernambuco

O Acampamento Popular Permanente em Defesa da Democracia esteve ainda mais colorido durante a quinta-feira (28). A Plenária LGBT reuniu, na Praça do Derby, grande diversidade da população e de movimentos que lutam pela causa.



A organização surgiu pela necessidade de marcar presença política. Ana Carla Lemos, do Coletivo de Lésbicas e Bissexuais de Pernambuco, afirma que o Comitê LGBT dentro da Frente Brasil Popular foi pensado “para evidenciar a posição da população LGBT e ajudar o Brasil neste momento”.



Os espaço aconteceram a partir da interlocução entre vários setores, como sindicatos, movimentos de mulheres, camponeses e estudantes. Roberto Efrem, da Consulta Popular, coloca esse cenário como um ponto positivo dentro da triste conjuntura. “O momento está oportunizando isso, a reunião desses sujeitos que historicamente estiveram divididos em caixas”.



A unidade do movimento LGBT na articulação contra o golpe em também é um ponto positivo. Taísa Rodrigues, militante do Levante Popular da Juventude, destacou a reunião de diferentes gerações da luta por direitos LGBT. “Gostei de estar com elas nos espaços para além das instituições, fóruns e conferências. Os coletivos mais jovens, que têm um debate mais de rua, somados às companheiras que têm essa construção fundamental de diálogo junto ao Poder Público”, afirmou. A aproximação de muitas pessoas LGBTs que não estão organizadas em movimentos, opina Roberto, “também é um sinal de que a pauta contra o golpe está aglutinando as pessoas, colaborando para a renovação do movimento LGBT”.



Ao opinar sobre a conjuntura política, Ana Carla lembra que a partir dos anos 2000 houve avanço para a população LGBT nas políticas e leis, mas que o que se ensaia para um possível governo Têmer vai no sentido oposto. “Querem silenciar as lutas LGBT, fortalecendo o patriarcado misógino e heteronormativo”, diz Ana. Taísa, que viu poucos avanços nos últimos anos, lamenta que “com esse cenário conservador, estamos sendo atingidos agora em questões relativas à família e educação”.



Roberto também vê no movimento pró-impeachment uma vontade de retrocessos quanto aos direitos LGBTs. “O modo como os deputados votaram, ‘em nome do pai, da mãe, do filho e do espírito santo’ diz muito sobre o que significa esse golpe para a população LGBT. Há por parte deles uma reivindicação de valores conservadores nas políticas. Os mesmos parlamentares que arregimentam o golpe são os que estão pautando questões conservadoras, como a mordaça de gênero para impedir o debate do tema nas escolas. Outro exemplo é o ‘Estatuto da Família’, do pernambucano Anderson Ferreira (PR), que também é apoiador do golpe. É uma articulação de valores conservadores”, aponta.



SAÚDE - Durante a tarde houve uma roda de diálogo sobre Saúde da População LGBT, onde profissionais e estudantes de saúde pautaram as dificuldades na ponta do sistema de saúde quanto ao atendimento a esta população. Os presentes criticaram as barreiras para as LGBTs doarem sangue, também como as políticas públicas para mulheres – que não atendem às mulheres trans, apenas às cisgênero.​