Editorial

Causas da tragédia da ciclovia no Rio

Na verdade foram para o ralo os 44,7 milhões de reais gastos pela Prefeitura para a construção do “cartão postal”

Rio de Janeiro

,

O Rio de Janeiro tem vivido momentos difíceis e de grande tensão para os moradores da cidade e para os turistas nacionais e estrangeiros que nos visitam. Recentemente ocorreu uma tragédia, perfeitamente evitável e que provocou duas mortes. Trata-se da ciclovia Tim Maia, que liga os bairros do Leblon a São Conrado, que desabou depois de três meses de sua inauguração. A construção não resistiu a uma ressaca, tão comum na orla carioca nesta época do ano.

Mais de duas semanas depois do ocorrido, engenheiros continuam chamando a atenção sobre a ocorrência de erros no projeto, que o prefeito Eduardo Paes (PMDB) utilizava como cartão postal do Rio tendo em vista os Jogos Olímpicos a serem realizados em agosto próximo.

Erros graves

É visível a falta de responsabilidade dos organismos da Prefeitura. Além da provável ocorrência de erros graves de engenharia, no dia 21 de abril, quando houve o desabamento, não foi adotada nenhuma providência para fechar a ciclovia em decorrência da ressaca. Nem houve preocupação das autoridades municipais com pelo menos uma ação preventiva para se agir em caso de necessidade.

Na verdade foram para o ralo os 44,7 milhões de reais gastos pela Prefeitura para a construção do “cartão postal”, repetindo o que já aconteceu na gestão do então Prefeito Cesar Maia nas obras dos Jogos Pan-americanos. Praticamente nada restou para a cidade, nem mesmo uma piscina olímpica que poderia servir para uso dos moradores da zona oeste. Exatamente porque não resistiu ao tempo e tornou-se impraticável.

Mas não é só no “cartão postal” da ciclovia junto ao mar que se observa a irresponsabilidade da Prefeitura, cujo titular, Eduardo Paes, diariamente circula nos meios de comunicação aparecendo como um “grande realizador”.

Teto do hospital

Pouco antes da tragédia da ciclovia, o teto do setor de pediatria do Hospital Municipal Rocha Faria desabou. Por sorte provocou apenas um grande susto em crianças e seus acompanhantes que ou estavam em atendimento, ou aguardavam a sua vez.  

Tragédias que poderiam ser evitadas e que se repetem ao longo do tempo fazem parte de uma rotina que precisa acabar. Para isso é necessário exigir que os governantes deixem de lado o espetáculo e se preocupem em cuidar da cidade.