Coluna

Bandeira de Mello: se queimando por nada

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10 de Maio de 2016 às 21:59
Bandeira de Mello com cara de tacho entre Dunga e Gilmar Rinaldi / Rafael Ribeiro CBF
O que Bandeira fez foi emprestar seu capital político e moral a Del Nero

Muita gente se surpreendeu ao ver o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, na mesa da convocação para a seleção brasileira. Ele ocupava a cadeira de Marco Polo Del Nero, entre Dunga e Gilmar Rinaldi. Até mesmo grande parte da diretoria do clube foi pega de surpresa. 

Segundo o próprio, posteriormente explicitado em nota oficial, o Flamengo busca o diálogo até mesmo com setores divergentes, o que não reduz as críticas do clube contra a atual situação do futebol brasileiro.

Primeiro, se foi necessária uma nota oficial para justificar, é porque não tem explicação. Até porque ela só saiu depois de Bandeira de Mello apanhar muito na mídia e no clube.

Segundo, o que faz um chefe de delegação em uma competição com a seleção brasileira? Nada, seu papel é irrelevante.

Desde a história do manto de Nossa Senhora, que motivou a seleção de 58 a disputar a final contra a Suécia, na Copa do Mundo, com camisas azuis, contada por Paulo Machado de Carvalho, os chefes de delegação não fazem nada além de compras nos países pelos quais a seleção jogou.

Bandeira de Mello acumulou um capital político e moral ao longo de sua trajetória como dirigente, reduzindo uma dívida que, anos atrás, seu pagamento era só um sonho, além de ter um papel destacado na aprovação do Profut, um micronésio de moralização do nosso futebol.

No fim das contas, o que fez foi emprestar esse capital a Marco Polo Del Nero, um cara que sequer pode sair do país, senão vai preso.

Del Nero não pode ter um minuto de sossego. Deve ser denunciado a todo instante, até que vista o uniforme listrado de uma penitenciária. Lugar onde ele e sua corja devem ir parar.

O que Bandeira de Mello fez é indesculpável e, ao invés de legitimar algum diálogo com a CBF, só frustrou quem ainda sonha com alguma mudança real no nosso futebol, o que está longe de acontecer com essa turma.