Afastamento

Militantes e parlamentares prestam solidariedade à presidenta Dilma

Acompanhada de uma comitiva formada por parlamentares e ministros, ela foi calorosamente acolhida pelos militantes

Brasília

,
“Eu estou pronta para resistir”, afirmou Dilma, embalada por gritos de guerra dos militantes presentes / Juca Varella/Agência Brasil

Em clima de indignação e resistência diante da decisão do Senado de abrir o processo de impeachment contra Dilma Rousseff, militantes e parlamentares se concentraram na manhã desta quinta-feira (12) em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, para prestar solidariedade à presidenta afastada.

“Estamos aqui para dizer que somos contra este golpe porque apoiamos a democracia. A saída dela [de Dilma] representa um verdadeiro retrocesso. Nossa Constituição está sendo rasgada”, afirma Maria Catiana, da Marcha Mundial das Mulheres, que está em Brasília desde a última terça para discutir pautas do movimento feminista e chegou logo cedo ao Planalto para participar da mobilização.

Dilma se pronunciou em frente ao Palácio às 11h40min, após ser oficialmente notificada sobre a decisão do Senado. Acompanhada de uma comitiva formada por parlamentares, ministros e gestores, ela foi calorosamente acolhida pelos militantes e reiterou que considera o processo de impeachment uma ofensiva golpista orquestrada pelo presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

“É vingança, porque nós nos recusamos a dar a ele os votos para que ele fosse absolvido na Comissão de Ética. A própria imprensa noticiou isso. E eu não sou mulher de aceitar esse tipo de chantagem”, declarou.

Na ocasião, ela afirmou que segue na batalha para tentar reverter a situação durante o período de 180 dias em que ficará afastada e reforçou que não cometeu crime no exercício do cargo. “Eu estou pronta para resistir”, afirmou, embalada por gritos de guerra dos militantes presentes.

“Neste momento crítico de ruptura democrática, tem um lado muito forte que é o da solidariedade, principalmente das mulheres. A Dilma tem representatividade porque foi eleita, por isso nós nos damos as mãos para lutar pelo mandato dela em nome de todos os avanços que tivemos nesses últimos tempos no Brasil”, declarou Lia Padilha, da organização da Marcha das Vadias em Brasília. Para ela, a conjuntura pede uma mobilização maior das organizações e dos movimentos populares. “Não vamos deixar a bandeira cair”, promete.

Parlamentares

Para a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), a decisão do Senado “não tem respaldo jurídico”, porque não haveria qualquer crime de responsabilidade fiscal. “Por isso, nós estamos aqui juntos para dizer que esta medida que eles tomaram não nos afastará da rua, da reconquista dos nossos direitos. Queremos que Dilma termine este mandato que 54 milhões de eleitores deram a ela”, declarou.

Para o vice-líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ), Michel Temer (PMDB) deve enfrentar uma série de problemas em seu governo interino. “Aonde quer que ele vá neste país vai ter gente protestando contra ele. Isso vai ter um impacto muito forte, inclusive no Congresso Nacional”, projeta o senador, enfatizando que a última pesquisa de opinião mostrou 58% de rejeição à figura de Temer.

Na mesma linha segue a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), segundo a qual o novo governo deve se deparar com uma oposição obstinada. “Eles estão reproduzindo o golpe de 64 em um novo formato. Por isso, é um governo ilegítimo, que vai nos conhecer na oposição, vai conhecer as ruas. Nós vamos tirá-los e Dilma vai voltar”, disse.    

A mudança de poder anuncia uma fase de maior instabilidade no cenário político brasileiro, mas o PT considera que a disputa ainda não está perdida. “É claro que hoje é um dia triste, mas é dia de resistência também. (…) Vamos ter uma batalha longa pela frente, mas, se a gente conseguir manter o ritmo das mobilizações, podemos vencer lá na frente”, acredita Lindbergh.    

Edição: Camila Rodrigues da Silva