Mídia estrangeira

The Independent: Homens ricos e brancos na política e mídia alimentaram impeachment

Em artigo do jornal, a saída de Dilma Rousseff é tratado como golpe 'patrocinado por forças internas e externas"

Opera Mundi

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“Mais uma vez, o espectro de um Brasil desigual e não democrático acordou", diz especialista / Reprodução

O processo de impeachment de Dilma foi alimentado desde sua eleição por homens ricos e brancos na política e na mídia, aponta artigo publicado neste domingo (15) no jornal britânico The Independent.

De acordo com o texto, assinado pelo professor Manuel Barcia Paz, da Universidade de Leeds, o que ocorre no Brasil é um golpe de Estado, “patrocinado por forças internas e externas, que muitas vezes antes se livraram de governos democraticamente eleitos na América Latina para satisfazer as necessidades do capitalismo neoliberal”.

Paz, que é especialista em história latino-americana, lembrou os golpes “orquestrados” na Venezuela em 2002, no Haiti em 2004 e em Honduras em 2009, “sob os olhos desinteressados da comunidade internacional”.

O professor diz que “brasileiros brancos, privilegiados e ricos” conduziram ao afastamento da chefe de Estado brasileira.

“Homens ricos, na política e na mídia, têm alimentado [o impeachment] desde que a presidente [Dilma] Rousseff estava no cargo”, diz.

Paz afirma também que, ao contrário da mandatária, contra quem não há provas de haver se beneficiado de recursos públicos, os responsáveis por seu processo de impeachment estão sendo investigados por crimes como conspiração, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e apropriação indevida de fundos públicos.

“E esses incluem o novo presidente em exercício Michel Temer, que nomeou um gabinete de ricos, privilegiados, brancos e políticos homens como ele”, diz o professor, que recorda que o Brasil – uma das nações mais diversas do mundo – possui agora o gabinete menos representativo desde a última ditadura militar.

“Mais uma vez, o espectro de um Brasil desigual e não democrático acordou. Com esperança, dessa vez brasileiros comuns – brancos, negros, asiáticos, indígenas, homens e mulheres, gays e heterossexuais – encontrarão forças para colocá-lo para dormir para sempre”.