Coluna

Voltamos à época em que artista era visto como ‘vagabundo’

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19 de Maio de 2016 às 18:45
Trabalhadores do teatro não tinham reconhecimento frente aos da TV / EBC
A arte é objeto é um dos pilares da humanidade na formação das civilizações

Antigamente as pessoas que queriam viver de arte eram chamadas de vagabundas. Diziam que era coisa de drogado, de quem não tinha capacidade de arrumar um emprego "decente". Só não era vagabundo quem era famoso. Os artistas de novela, os cantores famosos, quem estivesse na TV, ou nos jornais e revistas, tinham outro tratamento. 

Já a turma do teatro, pintores, artistas plásticos e toda uma gama de pessoas que produziam arte, que lutavam para viver disso, não tinham qualquer reconhecimento.

Pois bem, voltamos no tempo e estamos parados no passado. As pessoas estão gritando aos quatro cantos que “artista é vagabundo”, que se sustenta das “tetas públicas”, de leis de incentivo, e mais um monte de barbaridades.

Não vou tentar convencer ninguém. Só quero dizer uma coisa. Cuidado com quem vocês estão acariciando nesse momento. Cuidado com o que estão tomando como verdade para descarregar o ódio que tomou conta de parte da população.

A arte é objeto de transformação, é um dos pilares da humanidade na formação das civilizações, dos povos, das sociedades. Sem arte a vida seria um tédio completo, e nossa existência seria resumida a doutrinas que nos tornariam apenas escravos. 

Faça uma coisa. Passe uma semana sem ouvir uma música, sem assistir uma novela, sem ir ao teatro, sem ler um livro, ver um filme, olhar para uma escultura, ou para um quadro. Fique um tempo sem dançar, sem recitar uma poesia e me diga o que resta da sua vida. Talvez assim você entenda qual é o valor da arte no seu dia a dia e o valor de um artista na formação da sociedade.