Internacional

Papa Francisco se preocupa com "golpe branco" na América Latina

Pontífice se encontrou com bispos latino-americanos no Vaticano para discutir região

Brasil de Fato

,
O Papa Francisco em visita ao México em fevereiro deste ano / Presidencia de la República Mexicana

O Papa Francisco, durante encontro a presidência do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), órgão colegiado dos bispos do continente, demonstrou inquietação com a "complexa conjuntura política" dos países da América Latina, que estariam passando por "golpe de estado branco".

Segundo o Celam, o pontífice se reuniu com os bispos na biblioteca privada do Palácio Apostólico, no Vaticano, na última quinta-feira (19), e "mostrou sua preocupação com os problemas sociais que estão vivenciando a Venezuela, Brasil, Bolívia e Argentina".

Na semana anterior à reunião com o conselho, no dia 9 de maio, o Papa Francisco se reuniu com a atriz Letícia Sabatella e a desembargadora Kenarik Boujikian Felippe, do Tribunal de Justiça paulista, para tratar da crise política brasileira. Ambas têm se posicionado contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) e classificam o processo como golpe. Na ocasião, ele recebeu uma carta na qual o advogado Marcelo Lavenere, membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) e autor do pedido de impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello em 1992, denuncia que o Brasil "se encontra na iminência de sofrer um 'golpe de estado'".

Segundo o informe do secretário adjunto do Celam, Leonidas Ortiz, o pontífice se entusiasmou com esforços de integração dos povos latinos e a busca de soluções conjuntas. Ele se mostrou contente, também, com o avanço dos processos de paz na Colômbia, que necessita "empreender caminhos de perdão e reconciliação".  Uma visita no país é esperada no primeiro semestre de 2017, para a assinatura do acordo de paz entre o governo de Bogotá e os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O papa Francisco se lembrou ainda da crise humanitária do povo haitiano e a fala de diálogo com as autoridades do país quanto ao problema dos imigrantes. O México foi outro país mencionado por ele, que pediu o entendimento do que é um estado Laico e o papel da liberdade religiosa no país.

Ele também expressou ainda receio com as eleições estadounidenses, por falta de atenção à situação social dos mais pobres e excluídos, em possível referência ao candidato Donald Trump.