Fim da apuração

Pedro Pablo Kuczynski vence eleições presidenciais no Peru

O economista terá que governar com um Congresso dominado pela oposição

Opera Mundi

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PPK teve 50,12% dos votos válidos / Reprodução

O economista e ex-ministro Pedro Pablo Kuczynski venceu as eleições presidenciais realizadas no último domingo (05/06) no Peru, informou nesta quinta-feira (09/05) o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, na sigla em espanhol) do país.

Com 100% das atas processadas, Kuczynski, candidato pelo partido PPK (Peruanos por el Kambio), teve 50,12% dos votos válidos, enquanto Keiko Fujimori, candidata pela coligação Força Popular, teve 49,88% dos votos.

Ao anunciar os resultados na tarde desta quinta-feira, Mariano Cucho, presidente da ONPE, evitou proclamar PPK – como Kuczynski é conhecido no Peru – como vencedor das eleições, visto que ainda faltavam contabilizar 173 atas de votação. Entretanto, os votos que ainda devem ser contabilizados já não podem dar a vitória a Keiko.

PPK tem até o momento 8.580.474 votos, enquanto Keiko tem 8.539.036, deixando a diferença entre os dois candidatos em apenas 41.438 votos.

PPK disse através de seu Twitter que “é hora de trabalhar juntos pelo futuro do país”. Ele também mandou mensagens de agradecimento aos presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, da Argentina, Mauricio Macri, e do Chile, Michelle Bachelet, que lhe telefonaram para parabenizá-lo logo após a divulgação do resultado.

“Temos que trabalhar como um só país, com muitas opiniões. Ofereço-lhes humildade, conciliação, diálogo e, sobretudo, trabalho”, escreveu Kuczynski.

Keiko Fujimori até o momento não se pronunciou publicamente sobre os resultados. Ela venceu o primeiro turno das eleições, no dia 10 de abril, com 39,8% dos votos (PPK ficou em segundo com 21%), e liderou as pesquisas de intenção de voto até poucos dias antes do segundo turno.

O aumento de mobilizações contra a então candidata por parte de vários setores da sociedade civil peruana, que temia a volta do fujimorismo – regime político de seu pai, Alberto Fujimori, ex-ditador peruano (1990-2000) – foi um dos fatores que fez parte do eleitorado repensar o apoio à candidata da Força Popular. A declaração de voto em Kuczynski de Verónika Mendoza, candidata presidencial pela coalizão de esquerda Frente Ampla, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno com 18,7% dos votos, também levou parte da população a se voltar para PPK. A líder da Frente Ampla peruana, porém, também declarou que faria oposição a qualquer um dos dois governos que saísse vitorioso do pleito realizado no último domingo.

Além da estreita diferença de votos entre PPK e Keiko nas eleições gerais, o que mostra a acirrada divisão da população peruana, o novo presidente terá que governar com um Congresso controlado pelo fujimorismo, que elegeu 73 dos 130 parlamentares. A Frente Ampla, de Mendoza, tem a segunda bancada, com 20 deputados. Com 18 parlamentares, o PPK, partido de Kuczynski, será somente a terceira bancada do Congresso peruano.