Memória

Documentário "Guardiã dos Rios" homenageia Berta Cáceres seis meses após sua morte

Produzido pela Campanha Madre Tierra, o filme pretende recuperar as lutas pela defesa dos bens naturais

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Trecho do documentário "Guardiana de los ríos" / Reprodução

Seis meses após o assassinato da militante hondurenha Berta Cáseres, foi lançado o documentário Guardiana de los ríos, dirigido por Katia Lara, diretora também de Quién dijo miedo, que documenta o golpe de Estado em Honduras de 2009.

Produzido pela Campanha Madre Tierra, os 67 minutos de filme levam o espectador ao interior de Honduras e recupera as lutas pela defesa dos bens naturais e a resistência ao modelo extrativista no país, que, segundo a Anistia Internacional, tem o maior número de assassinatos de defensores de direitos humanos e do meio ambiente per capita.

A partir da história de Berta como liderança social, o documentário divulga a beleza e a riqueza de Honduras e de seu povo e permite refletir sobre as relações entre a realidade hondurenha e a de outros países da América Latina.

A Campanha “Madre Tierra” foi lançada com o objetivo de visibilizar a história de mulheres que atuam na defesa dos direitos à vida, à alimentação, à terra e aos territórios diante de projetos extrativistas nas áreas rurais de Honduras.

Participam da campanha a Rádio Progreso, a Equipe de Reflexão, Investigação e Comunicação (ERIC) e movimentos populares.



Entenda o caso

Berta foi assassinada na madrugada do dia 3 de março, em sua casa, em La Esperanza, na região oeste de Honduras. Cáceres era líder da comunidade indígena Lenca, de movimentos camponeses e defensora dos direitos humanos. Entre outras atuações, a ativista liderava uma campanha contra a hidrelétrica Agua Zarca.

Cinco pessoas foram presas pelo assassinato de Cáceres, dentre elas Mariano Díaz Chávez, um major do exército de Honduras que participou de operações no Iraque. Denúncias do último dia 21, feitas pelo jornal britânico The Guardian, apontam que houve atuação explícita do Exército do país em seu assassinato.

“Sabemos que existem responsáveis materiais e intelectuais que ainda não foram investigados. São empresários e funcionários públicos muito poderosos, acostumados historicamente a fazer o que querem em nosso país. Assassinar, perseguir, com completa impunidade. Por isso, a nossa luta, tanto da minha família como a minha pessoalmente, quiçá a mais dura da nossa vida, é a de enfrentar um inimigo muito poderoso, internacional”, declarou sua filha, Olivia Marcela Zúniga Cáceres em entrevista ao Brasil de Fato.

Edição: Camila Rodrigues da Silva