Coluna

Votação na ONU sobre embargo a Cuba poderá ser revelador

Imagem de perfil do Colunista
Barack Obama diz que pretende encerrar o mandato confirmando a aproximação com Cuba / Carlos Latuff
A votação desta quarta feira irá marcar a sinceridade ou não das palavras de Oba

Nesta quarta-feira (26) haverá nova votação na ONU sobre o embargo a Cuba, que os Estados Unidos, acompanhado de Israel, nos últimos anos, votam pela manutenção.

Este, teoricamente, seria um novo momento depois da aproximação dos Estados Unidos com a ilha caribenha. Mas ao que tudo indica, contraditoriamente, ao mesmo tempo em que o Presidente Barack Obama diz que pretende encerrar o mandato confirmando a aproximação com Cuba, mantém o embargo.

Por estas e outras, a votação desta quarta feira irá marcar a sinceridade ou não das palavras de Obama. Como votarão os Estados Unidos, da mesma forma que em outros anos na companhia desprezível do governo de Israel e de quebra Palau e Ilhas Marshal a favor do embargo?

É preciso acabar de uma vez por todas com a retórica que efetivamente se distancia da prática. Governos usurpadores, como o atual do Brasil, são constantes no distanciamento entre o que dizem e o que fazem na prática. Mas é um governo oriundo de um golpe parlamentar, midiático e judicial, sem voto, que pode fazer de tudo e muito mais para agradar o lado em que se inseriu, ou seja, dos Estados Unidos.

Cuba é um patrimônio da América Latina que há várias décadas enfrenta um bloqueio criminoso por parte do Departamento de Estado norte-americano, sob sucessivos governos, democratas ou republicanos. O próximo Presidente dos Estados Unidos, seja o da democrata Hillary Clinton, como indicam as recentes pesquisas, ou se essas falharem, os eleitores optando pelo tresloucado Donald Trump, a questão do embargo contra Cuba precisa ser definida de uma vez por todas.

O tempo vai dizer qual será o comportamento norte-americano daqui para frente em relação à ilha caribenha.  

É preciso também acompanhar o voto do atual governo brasileiro nesta quarta-feira. Manterá os posicionamentos anteriores contrários ao embargo, se absterá ou acompanhará eventualmente os Estados Unidos a favor da manutenção do embargo?

As dúvidas existem porque o atual governo brasileiro em sua nova política externa vem seguindo de forma subserviente os caminhos ditados por Washington. Seria, por assim dizer, o fim da picada o esquema Temer & Serra votar com os Estados Unidos favoravelmente ao embargo.

Como em se tratando de governo do nível de Temer tudo é possível, resta aguardar o desenrolar dos acontecimentos.