MST

IPDMS: Nota em solidariedade à ENFF e ao MST

"Essa não é uma ação isolada, pois viemos acompanhando no último período um recrudescimento da ação policial"

São Paulo (SP)

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Brasil de Fato / Brasil de Fato

⁠⁠⁠Hoje, 4 de novembro de 2016, em Guararema-SP, a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), coordenada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), foi invadida pela Polícia. Os policiais, sem mandado de busca e apreensão, dispararam contra as pessoas na recepção e entraram na escola pulando a janela. A ação fez parte da “Operação Casta” e aconteceu ainda no Paraná e Mato Grosso do Sul, com o objetivo de prender militantes dos movimentos criminalizados por suas convicções e ações políticas. Faz parte de uma política de segurança equivocada, pois é utilizada para criminalizar a política e abafar reivindicações legítimas e democráticas dos movimentos sociais.

A ENFF foi inaugurada em 2005, como centro de educação e formação, resultado da ideia, força, trabalho voluntário, persistência e solidariedade de diversos atores sociais. Uma grande parte foi financiada pelos direitos autorais do livro “Terra”, com fotos de Sebastião Salgado, texto de José Saramago e música de Chico Buarque. Ao longo dos mais de dez anos, passaram cerca de 24 mil pessoas em cursos, seminários, conferências e visitas, de todo Brasil, de outros países da América Latina, da África e do mundo. A ENNF também oferece cursos superiores e de especialização, em convênio com mais de 35 universidades e 15 escolas de formação em outros países.

Essa não é uma ação isolada, pois viemos acompanhando no último período um recrudescimento da ação policial, com ainda maior violência e desproporção, nos atos de rua, nas ocupações das escolas e universidades, nas ações de movimentos de luta por moradia, entre outros.

Em meio a uma conjunção de crises econômica, política e mesmo estrutural, sob um governo golpista ilegítimo que, com o suporte do Judiciário, da ampla maioria do Congresso e a legitimação e suporte ideológico da grande mídia, tem avançado na retirada de direitos, mais do que nunca precisamos defender o direito de organização e manifestação, pois o tempo é de urgência e demanda nossa reação organizada.

Essa não é uma ação isolada, mas também da máxima expressão do que é transformar a luta popular em caso de polícia.

O Instituto de Pesquisa, Direitos e Movimentos Sociais (IPDMS) manifesta sua solidariedade à ENFF, ao MST e a todas e todos que constroem a luta pela terra e pela educação no Brasil.