Editorial

É do veneno da cobra que se faz o soro-antiofídico

Conforme avança o golpe, envenenando a nação, o povo e os direitos, aumenta também a força e a qualidade da resistência

Belo Horizonte

,
Para defender direitos, só com greve geral / Bira Dantas

Com o golpe em curso, foi disparada uma bolsa de veneno há algum tempo armazenado pelas elites internacionais e brasileiras, o povo tem sofrido com ataques aos direitos e à liberdade. Ao mesmo tempo, este mesmo povo tem dado respostas que servem como soro-antiofídico, defendendo direitos e inspirando outras lutas de resistência.

A “PEC do fim do mundo”, que pretende congelar os investimentos em serviços públicos como saúde e educação, desencadeou a maior onda de ocupações de escolas já vista na história do Brasil, já são mais de 1300. De um local de aulas, as escolas e universidades se transformaram em um palco de educação popular e resistência. Ensinando a importância da organização e luta por direitos, não só para os próprios estudantes, mas para toda a população brasileira.

Após 1 ano do maior crime sócio-ambiental da história do país, que matou, desabrigou e limitou acesso à água e ao trabalho, os atingidos pela lama da Samarco no Rio Doce deram um grande exemplo para a nação, transformando dor em luta. O Movimento dos Atingidos por Barragens, marchou da foz do Rio Doce até Mariana e realizou um grande encontro em defesa dos direitos dos atingidos, com muito trabalho coletivo e persistindo na necessidade de superarmos este modelo de exploração de minérios que sufoca nossa soberania.

A violenta, truculenta e ilegal invasão da Escola Nacional Florestan Fernandes do MST, pela polícia civil, relembrou ações do período da ditadura militar. Esta ação gerou em todo o Brasil e no mundo uma série de atos em solidariedade à ENFF, ao MST, e contra a criminalização dos movimentos populares. Entoando a palavra de ordem “Lutar não é crime”, artistas, personalidades, lideranças, políticos e o povo em geral estão demonstrando a força e a importância da solidariedade entre os povos e entre as organizações.

A Greve Geral do dia 11 de novembro, convocada pelas centrais sindicais, os movimentos populares e as Frentes Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo unem importantes categorias e setores. É a 5a Greve Geral desde a independência do Brasil. Com esta iniciativa abre-se também a janela para entrar em campo nesta batalha a grande maioria do povo, os trabalhadores, que até então não demonstraram uma reação do tamanho das perdas de direitos que tem sofrido, como as PECs do fim do mundo, perseguições com traços de ditadura, reforma da previdência, reforma trabalhista, privatizações de setores estratégicos como o Petróleo e demais cortes de direitos.

Conforme avança o golpe, envenenando a nação, o povo e os direitos, aumenta também a força e a qualidade das experiências de resistência. O soro-antiofídico se depura e concentra. Cabe agora a este soro, que é composto por um povo em luta, definir em que vai transformar esta nação e construir nas lutas imediatas e a médio prazo uma estratégia, que aproveite das experiências de resistência, mas que vá além, que seja capaz de eliminar o veneno e consolidar um Projeto Popular para o Brasil.