Coluna

O velho esquema das promessas que jamais serão cumpridas

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17 de Novembro de 2016 às 15:26
É importante fazer o que os argentinos estão fazendo um ano depois das promessas

Um ano depois de um debate entre o presidente eleito Maurício Macri e o candidato derrotado Daniel Scioli, os argentinos estão lembrando outras séries de promessas feitas pelo candidato vitorioso. Macri garantia que o dólar não subiria a 15 pesos, o que não se cumpriu porque o valor atual é o que o então candidato dizia que a moeda estadunidense não alcançaria.

Macri insistia, entre outras coisas, com a promessa de que o seu governo chegaria à “pobreza zero”. Menos de um ano depois dessa promessa, a Universidade Católica revelou que no último ano a Argentina teve 1 milhão e 400 mil de novos pobres e também, segundo dados oficiais do Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censos), 32% da população vivem abaixo da linha de pobreza.

É importante fazer o que os argentinos estão fazendo um ano depois das promessas e que podem servir de referência para outros países. Por exemplo, o Brasil, onde nas campanhas eleitorais candidatos vitoriosos prometem mundos e fundos, mas depois de não cumpridas as promessas não são cobradas pelos eleitores.

Macri fez outras promessas, como a de que não reduziria cortes nas verbas na área de Ciência e Tecnologia, mas no orçamento do próximo ano o que ele prometeu não será cumprido, porque haverá uma redução de mais de 200 milhões de pesos.

Ainda segundo se pode saber através das redes sociais, segundo revela o jornal Página 12, Macri prometia no tal debate a criação de dois milhões de postos de trabalho e ainda expandir a economia e não ajustá-la.

E o que aconteceu? As tarifas dos serviços públicos aumentaram cerca de 700 por cento e a atividade industrial, da construção e comercial caíram durante oito meses, bem como 230 mil pessoas perderam seus empregos nos setor público e privado.

No Brasil, em uma entrevista do gênero convescote em que os entrevistadores levantam a bola para o entrevistado falar o que lhe interessa, o presidente golpista Michel Temer, embora não tenha sido eleito para o cargo que está a exercer, além de insistir na defesa da PEC-55 do corte de verbas públicas por 20 anos, fez questão de afirmar que pretende colocar a economia do Brasil “nos trilhos”.

Pelo projeto de Temer, o Brasil não tem condições de melhorar as condições de vida da maioria do povo brasileiro. Muito pelo contrario. É preciso estar atento em relação ao que promete Temer, mesmo que ele não tenha se submetido ao voto em campanha eleitoral para ocupar à presidência.

Junto a Temer está a mídia conservadora, contemplada com muitas verbas publicitárias do governo, que defende com unhas e dentes promessas que não se tornarão efetivas nunca. É só uma questão de tempo para essa confirmação.   

O problema está exatamente em cobrar o que Temer anda falando e amplificado pelos jornalões e telejornalões. E ficar também atento quanto à melhora da economia apenas para o tal mercado em detrimento da maioria do povo brasileiro.

Com as informações recém divulgadas sobre as promessas de Macri de um ano atrás cai como uma luva a aplicação do ditado popular “eu sou você amanhã”. Ou seja, a Argentina é o Brasil amanhã. É a lógica da enganação que leva a essa hipótese, ainda mais pelo fato de Macri e Temer serem complementares um ao outro com projetos idênticos em matéria econômica, ou seja, da redução do Estado até a entrega de mão beijada das respectivas riquezas nacionais para as multinacionais.

E na área de comunicação, nada mais idêntico do que Temer e Macri. Uma das primeiras medidas do presidente brasileiro ao se confirmar o golpe parlamentar foi baixar Medida Provisória (MP-744) destinada a acabar com o projeto que estava em desenvolvimento, o da comunicação pública.

Já Macri investiu furiosamente contra a democrática lei dos meios de comunicação, debatida por vários anos pela sociedade argentina, aprovada pelo Congresso e confirmada pela Justiça.

Ambos seguiram o desejo do patronato midiático conservador que toda a vida combateu ferozmente, seja no Brasil ou na Argentina, qualquer iniciativa de ampliar os espaços de informação e formação de opinião da população. Clarin e O Globo fizeram de tudo para que os respectivos governos os contemplassem e abortassem os projetos democráticos mencionados.