Coluna

Ideias de Fidel continuarão para sempre, queira ou não a mídia conservadora

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29 de Novembro de 2016 às 17:06
TV Globo não detalhou sobre quem são os cubanos em Miami que comemoraram a morte de Fidel Castro / Reprodução
Para variar manipulou informação para convencer a opinião pública

Faria verdadeiro jornalismo se a TV Globo em vez de mostrar e apenas dar a palavra a cubanos em Miami que comemoravam a morte de Fidel Castro, se fizesse um levantamento o que faziam em Cuba antes de se deslocarem para a Flórida. Mas não, o jornalismo da TV Globo preferiu apenas divulgar a comemoração e não entrar em detalhes.

Não procurou, por exemplo, um grupo de jovens cubanos residentes em Miami que se aproximaram da ilha caribenha e demonstravam publicamente repúdio aos velhos cubanos que não raramente tentaram derrubar o regime socialista de forma mais torpe possível com atentados terroristas que provocaram vítimas.

Pois bem, a audiência do Jornal Nacional no último sábado (26) não ficou sabendo o motivo da saída dos cubanos para a Flórida. Os mais recentes fizeram a opção por entenderem que no “outro lado”, atraídos pela propaganda, encontrariam em Miami um “paraíso”. Os mais antigos residentes abandonaram Cuba por culpa no cartório, ou seja, tinham vínculos com o anterior regime do tirano apoiado pelos Estados Unidos, Fulgencio Batista, ou se locupletavam das benesses patrocinadas pelo capital norte-americano que explorava os cubanos.

Esta gente fala em liberdade e coisa e tal, mas nunca se conformou em ter perdido bocas no período em que Cuba era considerada o “prostíbulo do Caribe”, onde os milionários estadunidenses iam passar o fim de semana em suas mansões. É também histórico o fato de marines norte-americanos urinarem em monumentos e riam dos cubanos, pois tinham certeza que nada aconteceria.

Naquela época, a maioria absoluta da população cubana vivia em péssimas condições, predominando o analfabetismo e falta de assistência médica para os necessitados. Boa parte dos cubanos de Miami, sobretudo os mais velhos se organizaram em grupos que promoviam o terrorismo na ilha caribenha.

Não foi nenhuma surpresa que esta gente saísse às ruas para comemorar a morte de um líder cubano e latino-americano responsável pela maior inclusão de uma população necessitada que se tem notícia no mundo. O que ficou claro é que a mídia conservadora, principalmente os telejornalões, demonstrou em sua cobertura jornalística que tem saudades dos tempos da Guerra Fria e se depender dela, aqueles tempos voltariam.

Para variar manipulou informação para convencer a opinião pública que Cuba é um inferno na terra, ou algo do gênero. O jornal mais vendido do Rio de Janeiro, O Globo, chegou ao ponto de em um editorial ter como referência a blogueira Yoani Sanchez, muito conhecida no exterior, mas desconhecida em Cuba, por fazer propaganda intensa contra o regime socialista da ilha caribenha. O Globo chegou até a afirmar que o Brasil, o Brasil dos golpistas, diga-se de passagem, pode ter influência em restabelecer a liberdade em Cuba.

Sugeriu ao presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que continuasse a política adotada pelo governo de Barack Obama com Cuba, ou seja, uma mudança de estratégia em relação às políticas radicais adotadas contra o povo cubano e que não conseguiram desviar a ilha caribenha do objetivo de seguir adiante, mesmo com dificuldades, o socialismo.

Mas Donald Trump, para agradar os seus velhacos eleitores cubano-americanos de Miami, além de atacar a figura de Fidel Castro avisou que não pretende continuar a mudança de estratégia e vai continuar o radicalismo de anos anteriores promovido tanto por presidente republicanos como democratas, que mantém o cruel embargo contra a ilha caribenha, iniciado em 1960, ainda no governo republicano de Dwight Esenhower.

Em suma, a América Latina, onde muitos países ainda não conseguiram a inclusão de amplas parcelas do povo necessitado, lamentam a morte de Fidel Castro, cujas ideias continuarão para sempre, queira ou não a mídia conservadora.