Conquista

Assentamento Che Guevara em Pernambuco comemora posse da terra

Assentados conquistaram cerca de mil hectares da Usina Bulhões em troca das dívidas do antigo proprietário

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Há 19 anos, 175 famílias lutavam pela terra aguardavam a decisão do Incra / Flávia Torres

Um novo instrumento para a apropriação de terras foi utilizado para favorecer famílias camponesas do assentamento Che Guevara, no município de Moreno, na região metropolitana do Recife.

Após 19 anos aguardando a imissão de posse, assentados conquistaram cerca de mil hectares da Usina Bulhões em troca das dívidas do antigo proprietário.

O processo está baseado na Lei de Adjudicação de Terras e atendeu as reivindicações porque no ano de 2010 o antigo proprietário da Usina Bulhões entrou com um pedido de falência.

Um dos assentados é Severino de Santana, de 68 anos, ele lembra da época em que tudo começou no assentamento.

"Foi em 1998, eu soube que estavam fazendo um trabalho de base para ocupar o engenho aqui. Eu continuei no trabalho de base com os meninos. Quando foi no dia 19 de março de 1998, a gente entrou com 120 famílias aqui. O meu sentimento é morrer aqui", declarou.

A última desapropriação no estado de Pernambuco tinha acontecido no ano de 2014. A proposta deve ser seguida para a posse definitiva em outros três engenhos da Usina Bulhões. A celebração da posse nos engenhos Poços Dantas e Várzea do Una aconteceu no dia 10 de março.

Jaime Amorim é dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Ele fala sobre a posse definitiva nos territórios dos engenhos Poços Dantas e Várzea do Una.

"Apesar de estarmos vivendo em um governo golpista, a luta pela reforma agrária independe de governo. Isso aqui é uma luta dos trabalhadores, não é uma dádiva de governo. Por isso que a gente vai comemorar. Primeiro porque é um instrumento novo de desapropriação, então merece efetivamente ser comemorado e segundo porque faz muito tempo, é verdade, a gente está com muita sede, muita vontade de comemorar uma desapropriação", explicou.

Edição: Brasil de Fato