Recife

Editorial: o Sistema Único de Saúde é uma conquista do povo brasileiro

Reconhecer esta conquista não deve nos impedir de reconhecer os limites e as dificuldades do sistema

Brasil de Fato | Recife (PE)

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O ilegítimo governo de Michel Temer em menos de 1 ano já tem anunciado medidas que visam o desmonte do SUS. / Charge: Francisco Marcelo

Este 7 de abril é marcado e conhecido em todo o mundo como o Dia Mundial da Saúde. E a grande pergunta que podemos nos fazer é: temos mais motivos para comemorar ou para lamentar nesta data?  

E aqui no Brasil o que o Sistema Único de Saúde (SUS) representa para o povo brasileiro hoje? Um dos maiores sistemas de saúde pública do mundo dá conta, hoje, das necessidades e demandas de nossa população?

A bem da verdade, é preciso compreender que o SUS foi uma conquista do povo brasileiro depois de muita luta e persistência. As pessoas mais velhas sabem o quanto era difícil conseguir atendimento em hospitais e postos de saúde caso não tivessem dinheiro. Reconhecer estas conquistas também não deve nos impedir de reconhecer os limites e as dificuldades de um sistema que, aos trancos e barrancos, veio se construindo nos últimos anos.

Hoje vivemos um momento em que todas as conquistas que tivemos estão correndo risco. O ilegítimo governo de Michel Temer em menos de 1 ano já tem anunciado medidas que visam o desmonte do SUS. Para ele não interessa que a população tenha direito à saúde gratuita e de qualidade.

E os ataques ao SUS que partem do próprio governo são muitos. A começar pelas tentativas de desmonte ao Programa Mais Médicos. Tal programa, como já é bem reconhecido pela população brasileira, levou atendimento para milhões de pessoas que antes não tinham atendimento médico. No Brasil foram mais de 400 municípios que não contavam com um médico sequer na rede pública e que passaram a ter assistência graças ao Mais Médicos. No total foram mais de 4.000 municípios que receberam médicos em todo o País. Somente em Pernambuco são 157 municípios que contam com médicos do Programa, dentro de um total de 185 cidades.

Outra sinalização deste governo é sobre criar “planos de saúde mais baratos” que não precisariam oferecer todos os serviços oferecidos nos planos de saúde particulares atualmente. É difícil até imaginar uma proposta como esta. Afinal, se hoje é muito difícil encontrar algum cidadão ou cidadã que esteja completamente satisfeito com os caros planos de saúde, como será a realidade em planos que não terão tantas obrigações para com os usuários? No final das contas os procedimentos e atendimentos mais importantes continuarão sob responsabilidade do Sistema Único de Saúde.

Mais do que nunca, neste 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, é dia de lembrar que assim como o SUS surgiu a partir de muito sangue e suor derramados pelo povo brasileiro, precisaremos estar ainda cada vez mais atentos e fortes para defende-lo, no que ainda funciona bem. E correr atrás para que ele possa estar cada vez melhor para atender aos interesses de toda a população.

Saúde não é uma mercadoria. Precisamos de um SUS do tamanho do Brasil e que caiba todo o povo brasileiro.

Edição: Redação