ESTREIA

Com muita poesia, filme nacional retrata o interior de Minas Gerais

Filmado na Zona da Mata mineira, “A Família Dionti” mescla realidade, fantasia e sonho

Belo Horizonte

,
Produção estreia na quinta (13) em todo o Brasil / Divulgação

Mineiridade, poesia e realismo fantástico são elos fortes do filme “A Família Dionti”, que estreia em todo o Brasil na quinta-feira (13). O longa, ambientado na Zona da Mata mineira, conta a história de Kelton (Murilo Quirino), seu pai Josué (Antonio Edson) e seu irmão Serino (Bernardo Santos) que juntos vivem em uma casa simples na roça.

Trabalhador de uma olaria, Josué espera há tempos que sua esposa volte com as chuvas fortes, porque ela se foi, “virou água”. Os meninos vão à escola de bicicleta, o mais velho trabalha e o mais novo, Kelton, adora jogar futebol com seus grandes bonecos de pano. Até que um dia um circo chega à vila e traz Sofia (Anna Luiza Marques), uma menina forte e cheia de assuntos para contar. É por Sofia que Kelton desenvolve os mesmos sintomas da mãe e começa a se derreter. Literalmente, virar água.

Altamente preenchido com metáforas, a “A Família Dionti” é uma reflexão filosófica da vida, do cotidiano, da morte, da inexistência, ainda que o realismo fantástico perpasse toda a narrativa. “A grande qualidade do filme é a delicadeza”, afirma o ator Antônio Edson.

O diretor e roteirista Alan Minas busca referências no poeta Manoel de Barros e no escritor Guimarães Rosa. “O filme transita entre realidade, fantasia e sonho sem, necessariamente, determinar limites”, argumenta. Há um cuidado com a construção da história, de forma que haja brechas para a interpretação do público. 

Minas são muitas

Elisa Almeida assistiu à pre-estreia do filme e saiu encantada com a produção. “Apesar de o diretor ser carioca, ou talvez por isso mesmo, acho que ele entrou na questão da mineiridade de uma forma muito verdadeira. E tem muita poesia. Captar essa poesia do mineiro tem a ver com o tempo, com esse tempo lento, de falar uma frase e parar um pouquinho. E isso me emociona”, afirma.

Além da forma de falar dos personagens, a cultura mineira aparece na música, na fotografia e nos hábitos do interior, expressa em cenas como a que Josué vai fazer compras em uma mercearia na vila. Alan conta que os locais escolhidos – as cidades de Cataguases, Guiricema, Leopoldina, Recreio e Muriaé – interferiram na composição dos roteiros.

“É difícil construir essa verossimilhança [na retratação do universo local] no realismo fantástico. Contei com o trabalho conjunto”, afirma.

Murilo Quirino explica que durante os quatro meses de ensaio e estudo do roteiro, o elenco ajudou Alan a entender mais sobre a cultura mineira. “Por exemplo, gírias que ele trazia que a gente não fala. Aí a gente ia dando elementos para ele, sobre o nosso jeito de falar, a nossa velocidade de falar. Então teve bastante troca”, conta o ator.

Para mais informações sobre o longa, clique aqui.

 

 

Edição: Joana Tavares