Editorial

A maior greve da história não passou na TV

Uma das principais lições do dia 28 é que os trabalhadores devem ter sua própria forma de comunicação

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

,
Em Curitiba, ao menos 30 mil pessoas participaram da mobilização do último dia 28 / André Chaves

No dia 28 de abril, cerca de 40 milhões de trabalhadores paralisaram as atividades em todo o país. O dia da greve geral já é considerado o maior da história, foi mobilizada por centenas de entidades sindicais e sociais. Todos contrários às medidas de Temer para desmontar a Previdência Social (PEC 287) e os direitos trabalhistas (PL 6787/2016).

Para quem presenciou o impacto da ação dos trabalhadores, ficou uma sensação incômoda. Afinal, rádios e TVs comerciais falaram apenas do trânsito e não das ações de várias categorias.  Isso porque, capitaneada pelas grandes redes de televisão, a mídia tem preconceito com a organização dos trabalhadores.

Para eles, a greve não significa um direito constitucional, os trabalhadores prejudicam o trânsito quando lutam por direitos, e a conta da crise deve ser paga pelos mais pobres. 

Chamar a greve de apenas política também é uma forma de fugir do assunto. As medidas de Temer elevam o índice de desemprego e prejudicam a vida das pessoas. É justo, então, que nos bairros, nos sindicatos e nas igrejas, os trabalhadores discutam a situação. Mais de cem bispos, por exemplo, apoiaram a greve no Brasil. 

O próximo passo dos trabalhadores é ocupar Brasília para pressionar o governo e o Congresso a retirarem as reformas. Uma das principais lições do dia 28 é que os trabalhadores devem ter sua própria forma de comunicação. 

 

Edição: Brasil de Fato PR