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O verdadeiro motivo da raiva de Moro e Dallagnol com a decisão de soltar José Dirceu

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Se dependesse de Moro e de Dellagnol, Dirceu continuaria mofando em Curitiba / Foto: Marcello Casal/Agência Brasil/ Arquivo
Moro e Dallagnol tentaram de tudo para Dirceu aceitar fazer delação premiada

Tanto o juiz Sergio Moro como o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, não se conformam com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que mandou soltar José Dirceu. É perfeitamente explicável o inconformismo, tentaram de tudo para Dirceu aceitar fazer delação premiada, o que não conseguiram, pois Dirceu não se dobrou apesar das pressões que duraram quase dois anos de prisão.

Dellagnol ainda tentou pressionar o STF apresentando uma nova denúncia contra o ex-chefe da Casa Civil. Se dependesse de Moro e de Dellagnol, Dirceu continuaria mofando em Curitiba até aceitar fazer a delação premiada e acusar quem quer que fosse para reduzir a pena aplicada em primeira instância por Moro.

Não se trata aqui de defender ou acusar Dirceu, mas simplesmente deixar claro que os acusados, independente de provas ou não, são pressionados para delatar ou então ficar preso por tempo grande. Muitos acusados preferem delatar, mesmo não tendo condições de comprovar, a vislumbrar a possibilidade de ficar preso, alguns, pela idade, até prisão perpétua.

Moro não perdoa quem não cede às pressões. A mídia comercial conservadora, em primeiro lugar o esquema Globo, colabora, como deixa claro a cobertura sobre a soltura de José Dirceu, que independente de provas já é considerado delinquente.

É preciso começar a rever essa prática da delação premiada, que não pode servir como forma de pressionar os acusados para contar qualquer coisa. Em qual país do mundo algum acusado fica preso por mais de seis meses até que um recurso final confirme ou não uma sentença de primeira instância?

Moro é um juiz de primeira instância que ganhou notoriedade com a cobertura questionável dos meios de comunicação conservadores, que usaram e abusaram de acusações sem provas e muitas delas através de depoimentos vazados para levar a opinião pública, leia-se classe média, a embarcar no esquema de considerar que a honestidade, que é uma obrigação, é a única forma de se fazer política.

Que sejam punidos corruptos e corruptores, mas sem o uso de métodos como pressões para que alguém aceitar fazer delação premiada para diminuir a pena ou ganhar liberdade. Isso não é fazer justiça na verdadeira acepção da palavra, mas na prática encostar alguém na parede na base ou delata ou vai mofar na prisão.

Muitos cedem às pressões, mas outros, como Dirceu, não aceitam e se porventura conseguem através da Justiça serem soltos até um julgamento em segunda instância, o ódio vigora. Moro e Dellagnol que o digam neste recente episódio envolvendo José Dirceu.

Antes de encerrar esta reflexão vale mencionar como o governo golpista de Michel Temer utiliza de forma espúria as nomeações determinadas pela sua base parlamentar aliada. Quem vota no Congresso com o governo consegue manter nos cargos os seus indicados, mas quem porventura em algum momento vota contra, o indicado é imediatamente exonerado pelo Diário Oficial. Temer, portanto, usa desse método para aprovar o que entende ser mais favorável aos segmentos econômicos que o levaram a ocupar a Presidência da República.

Trata-se do velho esquema toma lá da cá, na base da ocupação de cargos públicos, isto é, pelo uso do Estado para servir a interesses políticos, no caso do tipo que só favorece o empresariado que bancou o impeachment de Dilma Rousseff e que levou Michel Temer a ocupar o governo de forma totalmente ilegítima para impor goela adentro do povo brasileiro pseudo reformas de interesse dos seus apoiadores do andar de cima.

E tudo é feito de forma a enganar a opinião pública, como fez nestes dias o ilegítimo Temer ao afirmar em vídeo divulgado nas redes sociais que a reforma trabalhista favorecerá os trabalhadores, quando acontecerá, caso o Senador aprove, exatamente o contrário.

* Mário Augusto Jakobskind é jornalista, integra o Conselho Editorial do Brasil de Fato no Rio de Janeiro, escritor e autor, entre outros livros, de Parla - As entrevistas que ainda não foram feitas; Cuba, apesar do Bloqueio; Líbia - Barrados na Fronteira e Iugoslávia - Laboratório de uma nova ordem mundial.