EDITORIAL

Nas ruas, casas, na política e na ciência: mulheres contra a reforma da Previdência

No campo e na cidade as mulheres vão trabalhar mais e correm risco de não se aposentarem

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Uma das justificativas no texto da reforma é que homens e mulheres já têm as mesmas condições de trabalho, salários e jornada: uma é mentira / Vinícius Sobreira/Brasil de Fato Pernambuco

A vida das mulheres é atacada permanentemente pelo machismo, racismo, pelos patrões e pelo capital. Essa violência piora as condições de vida das mulheres, que são as que mais estão em situações de precarização do trabalho, já que a maioria dos empregos ofertados são informais, com extensas jornadas e sem direitos trabalhistas.

Embora não leve em consideração a jornada de trabalho doméstico, onde as mulheres são responsáveis pelo cuidado com a casa, com os filhos e com os idosos, a previdência social foi uma conquista da luta do povo, garantida na Constituição de 1988. Sua existência visa amenizar as profundas desigualdades que marcam a nossa sociedade na questão de gênero, raça e região, fazendo com que tais diferenças sejam enfrentadas por meio de um tratamento baseado na solidariedade, diferenciando as formas de contribuição a partir da realidade de cada contribuinte.

O projeto de desmonte da Previdência Social foi aprovado na Comissão Especial da Reforma da Previdência nesta terça-feira dia 9 de maio. E a previsão é que seja encaminhado para a votação no plenário rapidamente. Essa “reforma” faz parte de um ataque ainda maior sobre os diretos das trabalhadoras e dos trabalhadores do nosso país, com a aprovação de outros projetos de lei como a reforma trabalhista e a terceirização. Os movimentos sociais organizados estão chamando de pacote de maldades do governo golpista de Michel Temer.

Uma das justificativas destacadas no texto da Reforma é que homens e mulheres já têm as mesmas condições de trabalho, salários iguais e a mesma jornada de trabalho. Isso é mentira. Segundo os dados (IBGE 2015) as mulheres trabalham 55,1 horas por semana, enquanto homens trabalham 50,5 horas. Esse projeto é ainda mais devastador quando trata das mulheres trabalhadoras rurais, urbanas, negras e idosas, pois despreza qualquer diferença de gênero, raça e região.  

As mulheres professoras, por exemplo, que hoje se aposentam com 50 anos de idade, com o novo projeto só vão se aposentar com 60 anos e o tempo de contribuição de 25 anos. Aumenta também a idade mínima para a aposentadoria das trabalhadoras rurais, que geralmente iniciam o trabalho na roça com 14 anos de idade e, antes, se aposentavam aos (já) absurdos 55 anos, mas ao menos com uma contribuição familiar deduzida da venda dos produtos mensais. Com o projeto aprovado a idade mínima sobe para 57 anos e a contribuição passa a ser individual e no tempo mínimo de 15 anos.

É claro que o ilegítimo governo não tem interesse nenhum de melhorar a vida da classe trabalhadora. Mas nós, trabalhadoras e trabalhadores do Brasil, precisamos nos unir e mostrar que sem nossa força de trabalho o país para. É tempo de cultivar unidade, pois temos todas e todos um inimigo em comum e convivemos no mesmo lugar de batalha: as ruas. Ou param essa reforma ou paramos o Brasil!

Edição: Redação Brasil de Fato Pernambuco