Cidades

População recolhe doações para famílias prejudicadas por enchentes em Curitiba

Seis bairros periféricos da cidade foram os mais prejudicados pelas fortes chuvas dos últimos dias

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Colchões, fraldas, materiais de higiene e eletrodomésticos em geral estão entre as doações mais urgentes / Adriana Borges

No dia 6 de junho Curitiba foi surpreendia por um volume de chuvas maior do que o previsto para cair durante todo o mês. Foram 118,4 milímetros de chuva só na terça-feira, quando a média esperada para julho era de 101 milímetros, de acordo com o Instituto Simepar.

As enchentes afetaram principalmente os bairros Xaxim, Pinheirinho, Cidade Industrial de Curitiba (CIC), Cajuru, Santa Quitéria e Parolin, de acordo com a Defesa Civil. Outros bairros próximos a estes seis também registraram alagamentos.

No mesmo dia, começaram as reações de solidariedade às famílias que tiveram as casas atingidas. Colchões, fraldas, materiais de higiene e eletrodomésticos em geral estão entre os principais pedidos de doação.  

A assistente social Adriana Borges, moradora do Barigui, está entre as pessoas que se mobilizaram. Ela recolhe as doações em casa, a qualquer momento, e as destina para famílias no mesmo dia. “Nada fica parado”, ressalta. “Voluntários me ajudam na triagem, que é o momento de separar as peças por idade e gênero. Só pedimos que os doadores já entreguem as roupas limpas, porque não temos condições de lavar todas peças antes de entregá-las”, assinala a assistente social.

A jornalista Raíssa Melo também concentra doações para as localidades atingidas e ressalta a mobilização coletiva que passou a se fortalecer desde terça-feira. “Tem havido muita conversa e diálogo entre pessoas de todos os bairros que sofreram com o alagamento. Esta situação crítica trouxe um cenário de solidariedade e cooperação”, conta Raíssa, que recebe as doações nos terminais de Curitiba para que seja possível, tanto para ela quanto para quem vai doar, operar a transação com apenas um bilhete da passagem mais cara do país.

No caso das famílias do Cajuru e Parolin, bairros mais prejudicados e com a situação mais crítica, os organizadores pedem alimentos que possam ser ingeridos sem preparo, como bolachas, leite e produtos perecíveis. “Muitas dessas famílias perderam fogão e não conseguem cozinhar”, situa Adriana.

Problema que se repete

Adriana passou a se envolver de maneira mais próxima com as soluções solidárias diante dos alagamentos depois que a própria casa foi inundada, há três anos. “Eu perdi tudo o que tinha de bens materiais. Fiquei só com a roupa do corpo. O que importa para mim é que o meu filho e meu cachorro sobreviveram junto comigo”, diz Adriana, que carrega a lembrança de entrar em casa e sentir que, ali, havia explodido uma bomba. “Mas em vez de sentar e chorar, eu olhei para o lado e vi minha vizinha e a filha, de três anos, que soluçava de frio. Desde então, passei a colocar em prática um projeto para, de fato, fazer alguma coisa para ajudar”, conta.

Vizinho de Adriana, o assistente administrativo Jonas de Oliveira conta que a casa onde mora com a esposa, Thais, alagou quase meio metro acima do chão em questão de minutos. “Perdemos muitas coisas, roupas e colchão. O susto foi tão grande que decidimos nos mudar no dia seguinte”, diz ele.

 

Contatos solidários

Saiba como doar:

- Disque Solidariedade

O serviço de recolhimento municipal pode ser acionado por telefone, no número 156. Uma equipe então vai até a casa e recolhe os donativos. Também é possível deixar doações na sede da FAS, localizada na Rua Eduardo Sprada, 4.520, no bairro Campo Comprido, das 8h às 18h.

- Paróquia Santa Amélia

As doações podem ser deixadas na Casa Paroquial (rua Alcir Martins Bastos, 510, bairro Fazendinha.) Contato: (41) 3288-2651.

- Adriana Borges

Recolhe doações em sua casa, no bairro Barigui. Fone: (41) 99937-5164.

- Raíssa Melo

Combina encontros em terminais de ônibus da cidade para recolher as doações. Fone: (41) 98446-1715.

 

Edição: Ednubia Ghisi