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Economia em baixa e falta de alimentos ajudam a entender crise na Venezuela

Analistas apontam que país vive "guerra econômica”, a qual gerou desabastecimento de comida e escassez de produtos

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)

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Wikicommons / Vista de um bairro popular de Caracas

Falta de alimentos e economia em baixa são fatos que ajudam a entender a atual crise na Venezuela.

O Brasil de Fato está no país para entender as razões e os usos políticos dessa situação.

Desde a vitória eleitoral do presidente Nicolás Maduro, em 2013, o governo enfrenta forte oposição dos partidos agrupados na Mesa da Unidade Democrática (MUD).

Primeiramente o grupo não reconheceu a vitória do sucessor de Hugo Chávez, depois pediram a recontagem dos votos.

Nos últimos quatro anos, a oposição não deu trégua ao governo de Maduro. 

A chamada “guerra econômica” no país gerou uma situação de desabastecimento de comida e escassez de produtos básicos, prejudicando a população.

O economista Luis Salas avalia, por exemplo, que um há no país um mercado especulativo com intenção política de gerar desequilíbrios na sociedade. Trata-se, portanto, de uma guerra econômica.

O abastecimento do país, que tem a economia baseada em uma vasta reserva de petróleo, é dependente de produtos importados. Em média 70% do que se consome vem de outras localidades.

Desde 2014, a falta de itens básicos nos supermercados e farmácias da Venezuela se agravou, atingindo diretamente a população mais pobre.

O problema havia sido parcialmente resolvido durante o governo de Hugo Chávez, mas o fantasma histórico do desabastecimento volta a tirar o sono dos venezuelanos.

Segundo o governo, quase 100% do consumo de frutas, hortaliças e derivados do leite é garantido por produção própria.

Parte da produção é subsidiada e até produzida pelo Estado, que também adotou como política vender e distribuir esses alimentos em redes de supermercados estatais.

A proposta do presidente Nicolás Maduro como saída para a crise é a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, que deve ocorrer em julho.

A medida, no entanto, é fortemente criticada pela oposição. A ação traz a oposição para o campo do embate político-eleitoral e deixa o governo em uma posição protagonista.

 

Edição: Camila Maciel