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Análise | O jogo de interesses entre Sérgio Moro e os Estados Unidos

Lava Jato instaurou no país um clima de instabilidade favorável à Casa Branca

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Juiz federal Sérgio Moro é responsável pela Operação Lava Jato / Marcelo Camargo/Agência Brasil

Você já ouviu falar na história de que o juiz Sérgio Moro teria sido treinado pelos Estados Unidos para conduzir a operação Lava Jato, aqui no Brasil?

Essa polêmica surgiu no ano passado, num vídeo gravado pela filósofa Marilena Chauí, e abriu um debate muito importante sobre os interesses internacionais que estão em jogo na Lava Jato.

A organização internacional Wikileaks vazou um documento que mostra que o Moro participou, em 2009, de uma conferência oferecida pelo Departamento de Estado Norte Americano, pra treinar juízes brasileiros.

O Sérgio Moro falou nessa conferência sobre os dilemas mais frequentes dos juízes nos processos que envolvem lavagem de dinheiro. No final do evento, as autoridades norte-americanas concluíram que era preciso criar forças-tarefa de treinamento pra juízes e promotores em algumas capitais brasileiras. Um desses locais foi Curitiba, que acabou se tornando a sede da operação Lava Jato cinco anos depois.

A maior parte da formação do Moro como juiz se deu nos Estados Unidos, e ele vai pra lá com frequência para participar de eventos e palestras. Então, é natural que se levante esse tipo de polêmica, até porque quase todos os golpes de Estado que acontecem no Brasil e nos países vizinhos têm o dedo dos Estados Unidos.

Em 2012, teve golpe no Paraguai. Em 2016, teve golpe no Brasil. E a embaixadora dos Estados Unidos era a mesma nos dois golpes. A queda da Dilma tem relação com o ambiente de pressão criado pela Lava Jato, e acabou favorecendo mais uma vez a Casa Branca.

Como sempre, eles estavam de olho no petróleo. E logo depois do golpe, o pré-sal começou a ser fatiado entre as grandes potências, o que acaba reforçando essa suspeita sobre as ligações entre Moro e os Estados Unidos. 

O próprio Sérgio Moro já falou que essa hipótese não passa de uma teoria da conspiração. Mas a história infelizmente nos ensina a desconfiar sempre que os Estados Unidos se colocam à disposição para, digamos assim, ajudar a América Latina. Até porque, quando isso acontece, logo logo vem um golpe. Foi o que nós vimos no Brasil, e é o que nós esperamos que não se repita. 

*Comentário veiculado na Radioagência Brasil de Fato, baseado na reportagem Agente da CIA? Treinado pelo FBI? Um raio-x da relação Moro-EUA

 

Edição: Camila Maciel