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Prefeito do Rio faz demagogia ao anunciar corte de verbas das Escolas de Samba

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Prefeito do Rio, Marcelo Crivella, é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) / Arquivo Agência Brasil
Reduzir subsídios destinados às Escolas rompe com a tradição cultural da cidade

Os cariocas, sejam eles apreciadores ou não do Carnaval, não podem deixar de protestar contra a medida tomada pelo Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e também prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, de reduzir pela metade os subsídios públicos destinados às Escolas de Samba. Trata-se de um absurdo que rompe com a tradição cultural da cidade e que, diga-se, prejudicará o turismo.

Crivella não está se comportando como prefeito de uma cidade que todo mês de fevereiro acolhe visitantes dos mais variados quadrantes, nacionais e internacionais. Demagogicamente, ele afirma que a verba pública cortada será destinada à construção de creches municipais.

Todos sabem, e não é preciso ser nenhum especialista em matéria econômica que o Carnaval é responsável por engordar os cofres púbicos com aumento da arrecadação proveniente das divisas exatamente arrecadadas com a festa popular.

É vergonhoso para o Rio de Janeiro ter um prefeito que age como Bispo e se apresenta em público como Bispo licenciado. Foi assim na campanha eleitoral e continua sendo. É preciso que os cariocas se manifestem veementemente contra a medida arbitrária e sem sentido do corte e verbas para exigir que Crivella volte atrás com a resolução anunciada.

É preciso que alguém do secretariado, quem sabe o responsável pela condução da economia, convença o prefeito que na prática o corte da verba representa um tiro no pé nas próprias finanças municipais. Não é possível prevalecer uma tese contra o Carnaval carioca, patrimônio cultural da cidade, porque concretamente um setor religioso, representado por Crivella, é contra a festa popular do Carnaval. Claro que Crivella pode ter a religião que quiser, mas não pode, por causa disso, impor sua vontade para os cariocas.

Crivella já tinha agido como Bispo não licenciado da IURD ao não comparecer na abertura oficial do Carnaval quando o prefeito entrega simbolicamente a chave da cidade ao comandante da folia, ou seja, o Rei Momo.

Espera-se também que a Liga das Escolas de Samba (LIESA) não se deixe mais enganar por candidatos, como aconteceu na última eleição, quando seus dirigentes apoiaram Crivella. Caíram no conto de Crivella com a promessa que prestigiaria o Carnaval e especialmente as Escolas de Samba.

Além do mais, todo cuidado é pouco, pois quem é capaz de anunciar o corte da metade das verbas para as Escolas de Samba dizendo que o dinheiro será destinado à construção de creches, o que poderá levar a suspensão do desfile, conforme já alertou a própria LIESA, pode fazer de tudo. 

Inclusive não reajustar os salários dos servidores municipais, ativos ou aposentados. E também em um futuro não muito distante exigir que os funcionários sejam obrigados a descontar maiores percentuais para a Previdência. Ou então dizer que os cofres da Prefeitura estão vazios e não poderão pagar regularmente o salário dos servidores municipais, como acontece na área estadual sob o comando do Governador Pezão.

Até porque em matéria de Crivela tudo é possível acontecer, inclusive a implementação de rigoroso ajuste fiscal nos moldes proposto pelo governo golpista de Michel Temer sob o convencimento do aposentado do Banco de Boston que ocupa o Ministério da Fazenda, Henrique Meirelles. O Rio de Janeiro e o Brasil não mereciam tamanha desgraça.