STF

Julgamento de Aécio Neves é adiado e irmã passa a usar tornozeleira eletrônica

Andrea Neves e Frederico Pacheco, assessores de Aécio, passam a prisão domiciliar

Brasil de Fato | Belo Horizonte

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O senador afastado Aécio Neves (PSDB) é acusado de, junto com o presidente não eleito Michel Temer, dificultar as investigações da Lava Jato / Valter Campanato-Agência Brasil

A defesa de Aécio Neves apresentou, durante sessão do Supremo Tribunal Federal de 20 de junho, um pedido para que o julgamento do senador fosse feito por todos os 11 ministros da casa. Atualmente, o caso está nas mãos de apenas cinco. O requerimento foi aceito pelo STF e o julgamento da sua prisão foi adiado por tempo indeterminado. A defesa de Aécio pede também que ele seja autorizado a voltar às atividades de senador.

No mesmo dia, o Supremo deliberou outras ações favoráveis aos réus. As prisões preventivas de Andrea Neves, irmã e assessora de Aécio, Frederico Pacheco, assessor de Aécio, e Mendherson Souza Lima, ex-assessor de Zezé Perrella, foram convertidas em prisão domiciliar com uso de tornozeleiras eletrônicas. Eles são denunciados por corrupção, organização criminosa e por dificultar as investigações. Os três estavam presos desde 18 de maio.

Análise

Para o deputado mineiro Rogério Correa (PT), que já fez inúmeras denúncias a Aécio, a situação é “no mínimo estranha”. “Ele foi pego em flagrante recebendo uma quantia de 2 milhões”, indigna-se, “foram vários crimes contidos em apenas uma gravação: recebimento de propina, ameaça de morte e obstrução da Justiça”. 

O deputado critica também a decisão pela prisão domiciliar de Andreia e Frederico. “Ainda fizeram questão de liberar a irmã e o primo, que certamente estavam pensando, como a imprensa já tinha divulgado, em fazer delações premiadas. A proteção a Aécio é a proteção que uma parte do judiciário vem fazendo ao PSDB”, defende.

Acusações

O senador afastado Aécio Neves (PSDB) é acusado de, junto com o presidente não eleito Michel Temer, dificultar as investigações da Lava Jato. Foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista, da empresa JBS, e filmagens mostram seu assessor recebendo a quantia.

Veja abaixo uma lista organizada pela página Viomundo com as principais denúncias contra Aécio Neves, desde de 2002, quando se elegeu governador de Minas Gerais. 

Lista de denúncias contra Aécio Neves

 

2005 – Mensalão tucano

O nome de Aécio consta na lista de Cláudio Mourão, como recebedor R$ 110 mil de propina no esquema de campanha de Eduardo Azeredo. Rodrigo Janot abriu investigação contra Azeredo, mas não vinculou o nome de outros envolvidos.

2005 – Lista de Furnas

A campanha de Aécio para governo de Minas Gerais, em 2002, teria recebido R$ 5,5 milhões de empresas ligadas à usina de Furnas. Há inquérito aberto no MPMG e, na esfera federal, um pedido de depoimento feito por Rodrigo Janot.

2003 a 2010 – Pedaladas na saúde e educação

Deputados denunciam Aécio por improbidade administrativa. Como governador, teria usado recursos da saúde e da educação em outras áreas e não cumpriu o mínimo de investimento exigido pela lei.

2011 – Rádio Arco-íris e empresas Neves

A rádio de propriedade de Aécio e Andreia Neves e empresas da família teriam recebido milhões em publicidade do governo estadual, de 2003 a 2014. A denúncia é de três deputados mineiros. A Justiça de MG e a Procuradoria Geral da República receberam os documentos, mas não abriram investigação.

2009 - Aeroportos de Cláudio e Montezuma

Aécio teria criado dois aeroportos em fazendas do tio (cidade de Cláudio) e do pai (cidade de Montezuma), para uso particular. A denúncia segue em investigação no MPMG.

2011 – Cidade Administrativa

A construção da Cidade Administrativa – sede do governo estadual – teria sido feita por cartel de empresas e custado R$ 2 bilhões, quando o orçamento era de R$ 800 milhões. O caso está em inquérito no MPMG e, depois de delação da Odebrecht, Aécio deve ser julgado também no STF.

2011 – Mineirão

Obras para a Copa do Mundo no estádio do Mineirão tem denúncias de favorecimento de empreiteira e superfaturamento. O caso está em apuração no Ministério Público Federal.

 2010 a 2017 – “Parceira” com Andrade Gutierrez

A empresa, e hoje grande acionista da Cemig, teria sido favorecida inúmeras vezes por Aécio Neves, com repasse de lucro da Cemig e obras. Em compensação, teria sido uma das maiores financiadoras de campanha de Aécio. Dois inquéritos abertos no MPMG e julgamento federal no âmbito da operação Lava-Jato.

2015 e 2016 – Uso de aviões por Aécio e amigos

Denúncia de que Aécio teria usado aeronaves oficiais para 124 viagens ao Rio de Janeiro e outras seis vezes quando já tinha deixado o governo. Inquérito instaurado no MPMG.

2016 – Hidroex

Irregularidades na licitação e construção da “Cidade das Águas” em Frutal. Estima-se prejuízo de até R$ 18 milhões ao estado. Inquérito do MPMG culminou com a prisão de Narcio Rodrigues, então presidente do PSDB de Minas.

Edição: Frederico Santana