Oposição

Cristina Kirchner oficializa candidatura ao Senado argentino em eleições de outubro

Ex-presidenta argentina lidera lista da recém-lançada Unidade Cidadã, com objetivo de fortalecer oposição a Macri

Kirchner, quando ainda era presidenta, na missa de comemoração de 205 anos da Revolução de Maio, na Basílica Nossa Senhora de Luján / Presidência da Argentina

A ex-presidente argentina Cristina Fernández de Kirchner confirmou neste sábado (24/06) sua pré-candidatura ao Senado para as eleições legislativas que serão realizadas no dia 22 de outubro. Cristina será candidata pela Unidade Cidadã, frente partidária lançada por ela e outras lideranças peronistas no último dia 14 para fortalecer a oposição ao governo de Mauricio Macri.

A candidatura da ex-presidente (2007-2015) foi divulgada poucas horas antes de se encerrar o prazo legal para apresentar as listas de nomes para as Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias (PASO) do próximo dia 13 de agosto, das quais sairão as candidaturas definitivas para as eleições de 22 de outubro.

Cristina, que antes de ser presidenta já ocupou cadeira no Senado e na Câmara de Deputados, liderará a lista da frente partidária lançada em ato público no dia 20 de junho. Na ocasião, a ex-chefe de governo discursou para mais de 50 mil pessoas no estádio Julio Grondona, na região metropolitana de Buenos Aires.

"Peço a união do povo, a união de todos os argentinos e de todas as argentinas, porque estou convencida de que esta etapa histórica de agressão neoliberal em todos os níveis da sociedade não é uma questão de partidos políticos", declarou Cristina. "Precisamos colocar um limite no governo nas próximas eleições para que pare com os ajustes."

O ex-ministro de Relações Exteriores e ex-presidente do Parlamento do Mercado Comum do Sul Jorge Taiana será o segundo na lista da Unidade Cidadã ao Senado pela província de Buenos Aires, a mais importante do país, já que é a que concentra mais eleitores.

A Unidade Cidadã competirá desligada do peronista Partido Justicialista (PJ), histórica força com a qual tanto Cristina como seu falecido marido, Néstor Kirchner (2003-2007), chegaram em coalizão ao poder.

A ex-presidente evitou assim participar de uma votação interna do justicialismo bonaerense, depois que seu ex-ministro de Interior e Transporte Florencio Randazzo anunciou a sua intenção de liderar uma lista ao Senado pelo PJ.

Com esta situação, fica confirmado que o peronismo se apresenta dividido em três frentes na corrida para o Senado: o da ex-presidente; o do justicialismo com uma lista encabeçada por Randazzo e o da coalizão 1País, que, ainda que ainda não esteja oficializado, seria liderada por Sergio Massa, ex-candidato a presidente e agora deputado do peronista Frente Renovadora, e pela legisladora de centro-esquerda Margarita Stolbizer.

As eleições de outubro renovarão 127 das 257 cadeiras da Câmara de Deputados, e um terço dos assentos (24) dos Senadores.

As eleições acontecem após dois anos nos quais nenhuma força teve a maioria, pelo que servirão para medir o apoio à frente Cambiemos, de Mauricio Macri, depois de quase dois anos no Executivo.

 

(*) Com Agência Efe

Edição: Opera Mundi