Coluna

Tropa de choque da direita aponta o nazismo como sendo de esquerda

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15 de Agosto de 2017 às 19:15
Jair Bolsonaro, um deputado que se intitula porta-voz dos defensores da ditadura empresarial militar de 64 / Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
Idiotas aparecem nas redes sociais com afirmações sem eira nem beira

Idiotas e figuras possivelmente admiradoras de Jair Bolsonaro, um deputado que se intitula porta-voz dos defensores da ditadura empresarial militar de 64 aparecem nas redes sociais com afirmações sem eira nem beira, do tipo que assinalam, por exemplo, ser o nazismo de esquerda.

É de uma estupidez histórica sem par e que circula e de alguma forma pode ser aceita por ignorantes que pululam nas redes sociais. Como dirigia Umberto Eco, em tais espaços comportam pessoas estúpidas. Um exemplo concreto dessa estupidez é o surgimento de ideias apontando o nazismo como sendo de esquerda.

A citação de Bolsonaro é automática, porque o parlamentar é bem próximo desse tipo de menção que se vale da ignorância. O referido deputado, que se apresenta como candidato à Presidência da República, geralmente se vale da ignorância e da falta de memória de alguns incautos para proferir asneiras semelhantes ao do tipo que afirma ser o nazismo de esquerda.

Para simplificar o entendimento, o nazismo é uma espécie de regra três do capitalismo. Só prolifera exatamente onde esse sistema econômico está em crise. 

Na Alemanha se desenvolveu com o apoio e financiamento de grandes empresas, como acontecia no período sombrio da ditadura empresarial militar no Brasil, cuja repressão assassina era bancada por empresas. Haja vista a chamada Operação Bandeirantes e assim sucessivamente. Hoje, por exemplo, se sabe que a Wolkswagen estava associada a repressão, seja interna contra os trabalhadores da empresa, como também com grupos que nos porões da ditadura cometiam crimes até hoje impunes.

No caso atual, quando o nazismo, de extrema direita, tem novamente dado o ar de sua graça, como nos Estados Unidos, é preciso estar atento e denunciar essa forma de manifestação covarde que mata sem piedade, como aconteceu no último fim de semana em que se assassinou uma manifestante contrária aos racistas nazistas que aparecem em público, possivelmente estimulados pelos mesmos setores que nos anos 30 possibilitaram a ascensão do famigerado III Reich.

Todo cuidado é pouco, porque os nazistas ainda existentes nos mais diversos rincões, inclusive por aqui, se sentem estimulados. Aí aparecem os ignorantes históricos com afirmações estúpidas como a de que o nazismo é de esquerda. Mas não basta apenas apontar a ignorância que se manifesta nas redes sociais. É necessário unir esforços para evitar que dias sombrios, como no III Reich nazista e na ditadura empresaria militar que esteve vigente no Brasil durante 21 anos, como defende Bolsonaro, se repitam.

É preciso também o máximo de esforços no sentido de evitar que neste continente latino-americano volte a proliferar tentativas de retorno aos tempos em que a região era considerada um “quintal” ou ”pátio traseiro“ dos Estados Unidos.  Em suma, mais uma vez todo cuidado é pouco com o que tenta impor o Departamento de Estado norte-americano e que é às vezes apoiado por incautos envenenados pela mídia comercial conservadora. Até porque, se esse ponto de vista prevalecer se repetirão os tempos tenebrosos do III Reich nazista, com outros rótulos.